NP: Run - Leona Lewis.
" Eu cantarei pela ultima vez para você, depois nós precisamo mesmo ir embora..."
- Cláudia infelizmente não é compatível com Luana. - informou o médico lendo os resultados dos exames.
- Mas como, elas são irmãs?! - exclamei totalmente triste. Cláudia ao meu lado só chorava.
- Eu disse que as chances dela serem compatível era só 37%. Mas ela ficará na lista de espera, vamos torcer para que achemos um doador logo. Agora teremos que contar a ela.
A reação foi premeditada, ao que parece a ficha dela cai naquele momento. Ver seu desespero cortava o meu coração.
- Calma minha pequena, você esta na lista de espera vamos torcer para que tudo dê certo. - disse a ela, tentando passar confiança.
- Dani, eu estou com medo. - disse ela agarrada a mim. - Eu juro tentei me fazer de forte todo esse tempo, passei por todos os processo com coragem, mas admito que estou com tanto medo. - Chorava ela, enquanto eu tentava me controlar, não podia mostrar fraqueza naquele momento. - Sabe Daniel, eu nunca falei em voz alta, mas você foi a melhor coisa que já me aconteceu, eu nunca esperei que isso fosse acontecer, mas saiba eu te amo muito!
- Hey não se despeça, nós vamos estar juntos sempre ouviu? - disse olhando em teus olhos, chorosos. Eu não podia perder aquela mulher!
- Hey não se despeça, nós vamos estar juntos sempre ouviu? - disse olhando em teus olhos, chorosos. Eu não podia perder aquela mulher!
" Eu mal posso te encarar, mas toda vez que faço eu sei que faremos em algum lugar, bem longe daqui..."
E voltamos pra onde começamos. O que eu podia fazer por ela? A impotência naquele momento era o que mais me desesperava. Eu queria salva-lá mas como? Sai andando sem rumo pelos corredores do hospital, até chegar em uma pequena capela que existia no edifício. Nunca fui religioso, mas naquele momento eu estava perdido, mal eu sabia que não iria fazer. Sentado naquele banco não me importei em chorar tudo o que estava guardado em meu peito. Evitava ao máximo chorar perto das pessoas, sempre me fiz de durão, e naquelas circunstâncias eu tentava passar confiança a Luana, pois sabia que ela precisava. Mas naquele momento sentado sozinho dentro daquela capela, não me importei. Os soluços escapavam da minha garganta, trazendo a tona todo o meu sofrimento, pois eu também sofria ao ver a mulher da minha vida naquela situação. Foi quando dentro de mim, como quase um sopro suave em meu ouvido disse " A resposta está dentro de você." Talvez eu estivesse tão atordoado que estivesse ouvindo coisas, mas eu consegui captar bem aquelas palavras antes de apagar completamente.
" Pensar que não poderia ver esse olhos, fica tão difícil não chorar..."
Acordei em uma maca, completamente tonto, nem sei o que aconteceu só me lembrava de esta na capela...
- Fique calmo você desmaiou já o doutor Carlos vem falar com você. - disse uma enfermeira logo ao meu lado. - assenti que sim, e alguns minutos depois o mesmo médico que cuidava de Luana, veio me atender.
- Olá garoto, que susto hein? - disse ele. - Sei que os dias estão corridos mas não pode deixar de se cuidar.
- É eu ando meio despreocupado com a minha saúde mesmo. - admite.
- Não deve, você só teve uma queda de pressão, mas mandei a enfermeira fazer uns exames de sangue em você só por precaução, tudo bem? - assenti que sim, afinal fazia meses que eu não fazia um check up. - Aconselho que vá pra casa só por essa noite, descansar, acredite qualquer coisa com Luana, avisaremos a você.
Concordei e depois de tranquilizar Luana que eu estava bem, fui mesmo para o apartamento dela. Alias nosso, desde que meu pai apareceu ele cumpriu mesmo a promessa e parou de me sustentar, mas aquilo era um dos menores problemas que eu tinha. Depois de conseguir descansar um pouco esparramado no sofá, a lembrança do que eu tinha ouvido na capela voltou. " A resposta está dentro de você." Por mais que eu quisesse esquecer, aquilo ficou vagando a minha mente até adormecer.
Logo pela manhã assim que cheguei ao hospital, recebi um aviso que o doutor queria conversar comigo. Fui sem hesitar, temendo que Luana tivesse piorado muito.
- O que foi doutor Carlos? Luana piorou? - cheguei a sua sala enchendo-o de perguntas.
- Não meu caro, é uma boa noticia! - exclamou ele, parecendo realmente contente.
- Diga logo! - implorei.
- Ontem depois do seu desmaio, como havia dito pedi que fizesse uns exames de sangue, e bom hoje de manhã por caso fui dar um olhada e vi que você Daniel, pode doar a medula a Luana, vocês são compatíveis!
Fiquei olhando para o médico concatenando as ideias, sem crer que aquilo podia ser possível. " A resposta esta dentro de você" eu ouvi novamente baixinho no meu ouvido. Não aguentei e deixei as lágrimas darem livre curso pelo meu rosto.
- Mas isso é maravilhoso. Eu posso salvar minha pequena!
- Vamos com calma. Não é certeza absoluta que o corpo dela irá aceitar, mas meio caminho nós já andamos um doador, isso é o mais complicado. Primeiramente faremos novos exames para constatar que você esta em ótimas condições de saúde, e logo poderá fazer o procedimento para a retirada da medula e Luana receberá no mesmo dia.
- Então vamos logo com isso, quero fazer esses exames o mais rápido possível. - exclamei feliz da vida, pois teria a chance de salvar o amor da minha vida.
Exames feitos, só aguardava os resultados, eu estava confiante que tudo daria certo, eu não fui escolhido atoa, alguém lá cima tinha me colocado naquele caminho justamente para isso. Os exames deram resultados excelentes e logo fomos comunicar a Luana. Só havia pedido ao doutor que não revelasse que eu era o doador para Luana, isso não precisava ser revelado eu me sentiria bem melhor daquele jeito.
" Acenda, acenda como se você tivesse escolha..."
Eu andava exultante pelo corredor do hospital para contar a Luana que ela seria salva. Ao meu aproximar de seu quarto nossos olhos se cruzaram pelo vidro, ela abriu um sorriso mais lindo do mundo, eu me lembrei daquela noite em que a vi dançando cheia de vida naquela boate. Quem diria que ali eu encontraria quem faz meu coração bater mais forte, quem faz meu mundo ter cor? Sustentei o sorriso e o olhar, que foi profundo e cheio de amor, e num segundo mais tarde eles se fecharam. Um bipe ensurdecedor ecoou pelo quarto e os enfermeiros correram. Não! Ela tinha parado de respirar. Ela não podia, me deixar! Não naquele momento!
" Mesmo que você não ouça a minha voz, saiba que estarei sempre ao seu lado querido..."
- LUANA! - Gritei pelo vidro, enquanto os enfermeiros faziam massagem cardíaca nela. - Não me deixe!
Não me deixe! NÃO ME DEIXE! Gritava em vão para que alguém me escutasse, mas ao que parecia já era tarde demais...
" Mais alto, mais alto e correremos pelas nossas vidas [...] Você foi a única coisa certa que fiz.

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