[...] Meu peito arfava de tão rápido que meu coração batia ao chegar na porta do ginásio. Mas parecia que eu ia pra forca, do que para o meu baile de formatura... Do lado de fora eu já ouvia o som da musica alta, o baile já havia começado a pouco tempo e já estava apinhado de gente. Respirei mais um vez, passei a mão pelo vestido a fim de ajeita-lo e entrei no local. Sem querer meus olhos caçavam-no pelo local. Eu queria vê-lo. Precisava muito encontrar com ele...
- Amiga que bom vê-la, nossa você esta linda! - disse uma de minhas amigas, tratei logo de colocar um sorriso no rosto, para não passar que estava nervosa.
- Obrigada, você também esta linda! - disse. Logo nos encontramos com mais de nossos conhecidos e ficamos juntos se divertindo. Alias eu fingia me divertir, meus olhos ficavam atentos a todo minuto, olhando cada rosto, a procura só de um...
Não aguentando mais a angustia que cada minuto crescia em meu peito, fui dar um volta pelo ginásio, com a desculpa que iria falar com uma colega que não via a algum tempo, sai de perto de minhas amigas.
Meus olhos percorriam cada canto, mesmo querendo dar sinais de desistência de minha busca, eu persistia, meu desejo de vê-lo era maior. Meu coração deu um salto quando avistei os amigos dele, obviamente se ele estivesse lá, ele estaria com ele. Andei o mais próximo possível que eu podia, para não dar bandeira que eu estava olhando, e observei cada rosto da rodinha que paquerava um grupo de meninas, meu estômago chegou até a se inquietar caso estivesse ali, mas ele não estava. Não sei se sentia alivio ou se me entristecia afinal ele não estava lá.
Por mais que o meu desejo e a minha esperança falassem mais alto, a verdade seja dita ele não havia ido até o baile. Senti um nó em minha garganta pela decepção, eu havia idealizado muito aquele momento... Incomodada com a musica alta que tocava resolvi ir até o jardim, precisava ficar um pouco só. Quando cheguei ao lado de fora dei um suspiro de alivio, nunca gostei de muito de lugares cheios de pessoas e musica alta, era totalmente avessa a baladas. Direcionei-me até o jardim, sentei num banco distante da entrada. Por incrível que pareça o local estava vazio, afinal só os bêbados e aqueles casais que queria mais intimidade ficavam lá, e naquela hora estava vazio. Talvez mais tarde quando a festa estivesse no auge. Após ficar descalça e deixar os pés descansando na grama úmida, pus me a observar o quanto o céu estava lindo naquela noite. A lua estava cheia e brilhante, por um momento eu pensei que pudesse toca-la de tão próxima que estava.
- Queria que ele estivesse aqui... - pensei no meu intimo. Já vazia alguns dias desdo da ultima vez que eu o tinha visto. Desde a ultima vez catastrófica onde eu havia tido que era apaixonada por ele e depois tinha sai correndo deixando a ver navios. Mesmo morrendo de vergonha queria vê-lo e explicar o acontecido, não sei por que mas a noite do baile parecia perfeita para aquela conversa...
- A festa é lá dentro. - disse alguém calmamente atrás de mim. Não acreditei quando os meus olhos se encontraram com os dele.
- D-digo o m-mesmo. - gaguejei. Eu estava vendo certo ou aquilo era só um delírio? Ele se aproximou sorrindo.
- Bom eu estava a procura de um garota que gosta de fugir sabe, vim a procura dela e bom parece que a achei. - Corei fortemente, graças a Deus estava escuro. Mas naquele momento tudo o que eu planejava dizer fugiu de minha mente. Observei ele vindo na minha direção, e percebi o quanto ele estava lindo de smoking e all star preto.
- Olha eu queria mesmo me desculpar pelo o incidente da ultima vez é que...
- Não precisa se desculpar. - interrompeu ele. Por alguns segundos ele me fitou e eu fiquei constrangida diante do olhar dele. Mesmo do lado de fora dava pra se ouvir o barulho da musica que vinha de dentro. - Você esta muito linda. Não devia estar aqui fora sozinha, devia estar dançando... - Disse ele, deixando-me mais constrangida ainda.
- Devia não, vai. - continuou ele. - Vamos? - ele dando uma rosa vermelha como convite para dança.
Ele nem me deixou colocar os sapatos, logo estava em seus braços dançando. Quem diria que naquele momento mesmo eu estava deprimida por querer que ele estivesse ali, e agora estava em seus braços? A luz da lua era forte sobe nos dois, e isso iluminava o olhar dele sobre o meu. Eu não conseguia articular nenhuma palavra, as borboletas no meu estomago e o suor frio, e o meu batimento cardíaco acelerado eram os que reinavam ali, e não me deixam dizer absolutamente nada.
- Sabe eu somente vim ao baile pra poder te encontrar. - começou ele. - Desde daquela ultima vez que você saiu correndo da minha frente, eu não paro de pensar em você... - comentou ele fazendo com que eu abaixasse a cabeça, encostando no peito dele, por vergonha. - Não se envergonhe, eu acho que faria o mesmo. Eu não sou muito bom com as palavras e acabaria me atrapalhando todo...
- Não imagino você atrapalhado. - disse voltando a olhar em seus olhos, rindo.
- Pois é, por mais que não pareça eu ficaria, quem não ficaria ao dizer o que sente pro alguém? - ele sorriu de uma forma tão sincera que eu não quis desviar e me esconder de novo. - Mas mesmo assim que eu queria que soubesse que estar aqui dançando com você, é uma das formas de dizer que eu sinto o mesmo. Não sou tão bom com as palavras como você, mas eu posso dizer que eu também estou apaixonado por você.
Fiquei alguns segundos o encarando, incrédula das palavras que tinha acabado de ouvir. Ele apaixonado por mim? Não sabia o que dizer, alias não havia o que dizer naquele momentos... Senti sua respiração mais próxima de meu rosto, meus olhos automaticamente se fecharam. Suavemente senti, seus lábios tocando os meus, com cuidado. Meu coração deu um salto de tamanha exaltação pelo momento. Nosso beijo era como se fosse um quebra cabeça se encaixava de perfeitamente, assim como seus braços aos meu redor. Logo o aperto foi mais forte, e o beijo ficando mais intenso mais urgente, como se fosse o ultimo bote salva vidas num oceano...
- Acorde filha! Ou vai perder o ônibus da escola! - levantei num salto após ouvir o grito de minha mãe me acordando. Então tudo não passou de um sonho? Meu peito arfava eu jurava que podia sentir o gosto do beijo que ele me dera... Passei a mão pelos meus cabelos, suspirando de desanimo, aquilo tinha sido tão real.
Peguei minha roupa para ir me trocar, mas antes tropecei em algo no chão. Antes de me levantar vi que em baixo de minha cama, um rosa vermelha igual a que eu recebi em sonho,estava lá. Não estava despetalada, e sim intacta como se alguém a tivesse colocado ali cuidadosamente...
- Então foi real ou foi um sonho?