quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Acaso


E ele estava eu me decepcionando mais uma vez. Enquanto eu chorava em minha cama, ele curtia a noite com suas " amigas". Enquanto eu pedia que ele voltasse, ele saia cada vez mais atras de suas diversões. É eu era uma grande idiota. Merecia sofrer, mas quando se ama alguém você fica completamente idiota. Você cria expectativas e se fode depois. Meus olhos faltaram saltar da cara quando cheguei a um bar e lá estava ele se agarrando com uma das garotas que se dizia minha amiga. Aquilo foi a gota d'água pra mim. Aquilo foi fim.
Sai em disparada do bar, poderia ter saído calmamente, porque ali ninguém notou minha presença, acho que nunca notaram.  Mas correr era bom, fazia que minha mente só se concentrasse na velocidade que eu tinha que colocar nos meus pés. Meu fôlego faltava, mas eu não queria parar, só que te tão transtornada que estava fui parar no chão. Cai de cara na grama de uma praça. Arfava contra a grama, meu corpo tremia todo, não tinha forças de levantar. Só sentia meu peito subindo e descendo em ritmo acelerado. Eu estava literalmente e sentimentalmente no chão.
- Está tudo bem? - perguntou alguém em tom urgente enquanto tocava meu ombro. Não conseguia dizer nada só fiquei ali, sem ter o que dizer. - Responda você esta bem? Sente algo?
Meu corpo só começou a tremer mais e mais e o que eu já espera, um soluço alto escapou de minha garganta, seguido de mais outro e logo uma enxurrada de lágrimas começou a cair. Oh que ótimo o pouco de dignidade que eu tinha, havia ido pro ralo!
- Ei calma, esta tudo bem, venha eu te ajudo a se levantar. - Logo um garoto que eu nunca tinha visto na minha vida, me ajudou a se levantar. Colocou-me no banco cuidadosamente, e sentou ao meu lado, enquanto eu soluçava. Que patético. - Calma, esta tudo bem. - Dizia tentando me acalmar e passando as mãos nas minhas costas tentando me consolar.
Depois de incontáveis minutos, eu fui me acalmando. Olhei para a pessoa que me ajudava sem me perguntar nada durante esse meu pranto, e senti que deveria ter ficado na grama e me enterrado nela. Seus olhos eram gentis me, não me olhava com pena e sim com preocupação como se soubesse tudo o que eu estava sentindo naquele minuto.
- Esta melhor agora? - perguntou preocupado. Só assenti que sim, não sabia o que dizer. - Eu sou o Felipe
- Camila, meu nome é Camila. - disse baixo o encarando.
-Esta tudo bem com você? Aconteceu alguma coisa? - perguntou ele
- Só estava fugindo... - disse olhando para o horizonte, me sentindo uma completa idiota.
- Alguém estava te perseguindo? Quer que eu chame alguém? 
- Não, era só fugindo de mim mesma, das minhas escolhas erradas, das minhas decepções...
- Tem coisas que não tem como fugir, todos comentem erros, mas eles não são eternos. A gente escolhe errado uma vez, pra aprender, é a vida.  - Parei por um minuto, para encarar aquele garoto do eu lado. Uma pessoa que nunca tinha visto na vida, que em menos de cinco minutos estava me aconselhando. Tudo bem que nessas horas onde tudo dá errado e você esta mal, os conselhos entram num
ouvido e saem pelo outro. Mas mesmo assim me fez parar. 
- Olha sei lá o que houve com você, e nós nem nos conhecemos, e não estou nem um pouco afim de passar sermão ou lição de moral, só estou dizendo o que eu aprendi, nessa pouco vivencia na terra. - O jeito dele falar me fez dar um leve sorriso.
- Você não é daqui né? - perguntei mudando completamente de assunto 
- Não, mudei faz uns três dias, é tão na cara assim?
- Não é que nunca o vi por aqui... Deve estar achando que o pessoal daqui ou eu né é meio doido não? - disse querendo enfiar minha cara num buraco.
- Nem passou isso pela minha mente, fique tranquila.  Só acho que precisa cuidar desse machucado na perna. - nem tinha percebido que havia me machucado.
- Acho bom eu ir para casa cuidar disso. - Disse analisando o corte, nada que água e sabão não curassem, as dores internas que me preocupavam quando eu ficasse sozinha. 
- Se você quiser eu posso te acompanhar, mesmo eu não sabendo o caminho. Alguém tem que segurar caso você caia de novo. - disse ele meio tímido.
- Tudo bem para você me acompanhar? Minha casa não é tão longe... - disse aquilo para não parecer desesperada, mas por dentro eu queria muito que ele me acompanhasse.
- Não posso ir sim, também não moro longe daqui... 
Fomos andando e nós conhecendo, Felipe tinha dezessete anos e também estudaria na mesma escola que eu, havia se mudado junto com sua família. Quando chegamos na minha rua, descobrimos que éramos vizinhos. Depois me deixou na porta de casa, me desejando boa noite. 
Nada demais num simples momento, mas as vezes coisas ruins acontecem para as melhores virem. Não estou prevendo nada, nem querendo nada. Mas as vezes o socorro pode vir de quem você menos espera, Deus não dá o que você quer e sim o que precisa...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Always (final)


"Tem chovido desde o dia que você me deixou, agora estou me afogando em um diluvio..." 
Cheguei ao hospital pedindo para que a mãe dela não estivesse lá. Estava em divida com dona Hilda, e talvez se a visse não conseguiria fazer o que eu desejava. 
A cada passo que dava rumo ao quarto de Júlia, sentia mina pulsação subindo. Tudo o que vivemos passava com um filme em minha mente. Ao abrir lentamente a porta do quarto dela meu coração gelou. 
" Agora não posso cantar mais uma canção de amor como deve ser cantada, acho que não sou mais tão bom"
O quarto estava escuro, as persianas estavam fechadas. Havia alguns travesseiros no sofá que ficava no canto do quarto de frente para a cama dela. Também havia muitas flores em um balcão. Mas não era esse detalhe que gelou o meu coração e sim o estado que Júlia se encontrava. Tomei fôlego e fui abrir as janelas. Precisa respirar um pouco. Aos poucos sentei-me na cadeira que ficava a beira da cama dela e me pus a observa-la com cuidado. 
Seus cabelos estavam soltos no travesseiro, havia perto de sua testa um curativo indicando o local da cirurgia. Sua pele estava pálida, e estava ligada há aparelhos que monitoravam seus batimentos cardíacos. Se não fossem eles, eu duvidaria que ela estivesse viva... 
" Tente entender que cometi erros, sou apenas um homem"
Em seus braços ainda haviam marcas dos estilhaços de vidro que a atingiram. Peguei delicadamente suas mãos que tanto gostava de brincar, por sumir no meio das minhas.
- Oi minha pequena, demorei um pouco não é? Mas estou aqui hoje. - disse baixo para ela. - Gabriel nem sabe que vim vê-la. Ele morre de saudades suas. Precisa melhorar logo para nós saímos juntos os três. Sabe que nesse meio tempo que fiquei cuidado dele, até pensei em leva-lo a disney, sei que é o sonho dele e o seu também... - Não sabia muito o que dizer, mas sentia que precisava conversar com ela, sentia que ela podia me ouvir. - Sabe estava em casa e me lembrei do dia em que você disse que era o teu herói, pena que as coisas mudaram, hoje sou o vilão.... - Naquele momento as lágrimas já começaram a cair pelo meu rosto. 
- Júlia, eu te peço perdão. Você não merecia estar ai nessa cama, e sim eu. Me perdoa por todas as vezes em que eu te deixava falando sozinha, enquanto tudo o que você queria era o teu marido por perto. Me perdoa por me deixar levar pelo mundo e esquecer das minhas responsabilidades em casa. Me perdoa, por gritar com você, por ser orgulhoso, por ter saído do teu lado quando precisava de mim, por descumpri minhas promessas. Me perdoa meu amor, por naquela noite ter te deixado ir embora, quando tudo o que estava fazendo era salvar o nosso casamento! Se soubesse como eu me sinto culpado por tudo isso e como queria poder apagar tudo isso e recomeçar. - As lágrimas caiam como uma cachoeira pelo meu rosto, tudo aquilo eu dizia do fundo do meu coração. - Você e nosso filho é tudo o que eu mais tenho de precioso no mundo, eu não posso perder você, não me deixe. Deixe-me cumprir aquela promessa que eu te fiz quando eu pedi você em casamento, você lembra da musica? Eu te amarei sempre! Por toda a eternidade eu estarei ao teu lado... 
Em meio ao meu pranto, eu senti a salvação chegando ao meu encontro. Nunca senti algo tão forte, quando senti o aperto fraco em minha mão. Olhei para o rosto de Júlia e vi lágrimas caindo de seu rosto. 
- Júlia meu amor? - perguntei incrédulo. Seus olhos piscaram e logo ela procurou os meus. Não consegui dizer mais nada, estava pasmo. Seus lábios se entreabriam como se quisesse falar algo.
- E-u te-te - sussurrou ela.
- Não se canse. - disse entre lágrimas, mas ela insistiu.
- E-u te-te per-dou. 
" Encontraremos um lugar onde o sol ainda brilha, e sim eu te amarei querida, sempre"
Depois do nascimento aquele foi o momento mais emocionante de minha vida. 
Um ano depois, lá estava eu renovando os meus votos de casamento com Júlia. Geralmente os casais fazem isso só depois de trinta, quarenta anos de casamento. Mas depois de tudo o que eu e Júlia passamos, precisamos recomeçar. Renovar aquilo que um dia nós prometemos um ao outro. O meu amor por ela havia começado da forma mais pura possível, e não deixaria que caísse num abismo. Eu não tinha duvidas que a amava, e ela já tinha mostrado de farias formas que também me amava. E esse amor é pra sempre!
- Júlia, você aceita renovar os teus votos com Rodrigo? - perguntou o padre que nós casou da primeira vez.
- Aceito! - disse ela sorrindo 
- E você Rodrigo, aceita renovar teus votos com Júlia
- Eu aceito! - disse com certeza
- Pode beijar tua noiva. - Com ela nos meus braços, nossos lábios colados, senti tudo o que eu senti pela primeira vez quando a encontrei na faculdade.
- Eu te amo, e para sempre amarei!
" E eu, te amarei querida, sempre. E ao teu lado estarei por toda a eternidade. Estarei lá até as estrelas deixarem de brilhar, até o céus explodirem e as palavras não rimarem. E sei que mesmo quando eu morrer você vai estar no meu pensamento. Eu te amarei sempre!" Always - Bon Jovi

Always (parte 3)



Não sei como consegui chegar em casa. Eu estava um caco, sem chão. 
- Rodrigo o que aconteceu minha mãe ligou aqui desesperada a tua procura. O que houve? - perguntou Karina, a irmã mais velha de Júlia. Não conseguiria conversar naquele estado, sei que Hilda estaria preocupadíssima comigo, mas eu não conseguia.
- Cadê o meu filho? - perguntei num sopro de voz.
- Esta no dormindo, ele já esta melhor, mas me diga o que houve com Júlia? Minha mãe ligou aqui aflita e eu não entendi nada.
- Vá até o encontro dela, eu fico aqui com o Gabriel. - disse indo ao encontro de meu filho. Cheguei a beira da cama do meu filho e me assustei, onde eu estava que não vi meu filho crescer? Foram três anos perdidos, e agora quem sempre cuidou dele perderia toda sua vida. Isso não era justo. Por que ela? Não sei quanto tempo se passou só sei que fiquei ali admirando meu filho dormindo até o cansaço me consumir e eu cair no sono.
Logo toda a família estava sabendo do acontecido. Minha mãe se ofereceu e foi cuidar de mim e do Gabriel em casa. Eu já não tinha mais forças para nada. Não suportava ouvir meu filho chamando pela mãe e não obter o que queria. Talvez se fosse eu ele não sentiria tanto assim. 
- Pare com isso! - disse minha mãe entrando num rompante em meu quarto. 
- Parar com o que? - disse sem olhar para ela. Estava jogado em minha cama, havia uma semana mal saia do quarto.
- Com essas lamurias, com essa pose de desistência, sei que esta sofrendo mas precisa se levantar! - dizia minha mãe. Fiquei de cabeça baixa, nunca ousei confrontar minha mãe. - Filho. - ela se aproximou de mim passando a mão no meu cabelo. Não aguentei e cai num pranto sentindo.
- Rodrigo, você precisa sair dessa, estamos todos sofrendo, Gabriel precisa muito de você neste momento.
- Não consigo mãe. 
- Claro que consegue. Faça isso por Júlia. Ela também precisa de você. Não chegou nem a visita-la no hospital. Ela precisa muito de você, ela esta viva, não morta. Por favor filho sei que pode reagir.
Fiquei absorvendo as palavras de minha mãe, ela tinha razão, precisa dar um jeito de reagir, não por mim, mas por meu filho e principalmente por Júlia. Uma vez na vida eu tinha que reagir.
Passou um pouco mais de um mês, e as noticias ainda eram as mesmas. Júlia continuava desacordada, em coma. Desde de o dia do acidente e que soube o estado dela, não apareci no hospital. Ainda me sentia culpado e não tinha coragem de vê-la. 
Num dia desses, enquanto brincava com meu filho no tapete, ouvi só o grito de minha mãe vindo da cozinha, que continuava a me ajudar.
- O que houve mãe? - perguntei assustado.
- Ai meu filho uma barata. - disse ela branca apontando para ela. Logo tratei de mata-lá. Olhando para a barata já morta no chão lembrei-me do meu começo de namoro. Júlia e eu estávamos em meu apartamento vendo um filme, quando uma barata apareceu voando na sala. Júlia tinha pavor de baratas. Lembro me até hoje dela gritando em cima do sofá abanando as mãos. E lembro-me dela também me chamando de herói quando a matei.
- Rô, você é o meu herói! - disse ela pulando em meu pescoço
- Só matei a barata, amor. - ri da situação
- Não me salvou. Obrigada. 
- Não precisa disso. - disse encabulado
- Claro que precisa, sabe por que? Eu sei que quando eu estive em qualquer situação por pior que ela seja, você vai me salvar. Eu tenho completa certeza disso!

- Rodrigo! - disse minha mãe chamando-me para a realidade. - O que houve esta chorando meu filho? - Passei a mão pelo meu rosto, nem percebendo as lágrimas que caiam do meu rosto. 
- Mãe faz um favor para mim? 
- Claro! - concordou ela
- Fica com Gabriel para mim? Tenho que ir urgente em um lugar!

Always (parte 2)


- Minha filha onde ela está? - Estava sentando na sala de espera, quando vi dona Hilda entrando aflita. - Rodrigo o que houve com Julia? 
- Ela sofreu um acidente de carro, quase a perdemos dona Hilda. - disse sem conseguir olhar nos olhos de minha sogra, a culpa de me consumia.
- Mas como por que? Olha pra mim Rodrigo! - Implorava a senhora que sempre me tratou como um filho. 
- Um carro em alta velocidade a atingiu num cruzamento, ela perdeu muito sangue e por pouco não morreu. Agora foi trazida pra cá e esta na sala de operação, ela sofreu um traumatismo craniano. É só o que sei.
- Oh meu Deus, por favor não leve minha filha... - Ao olhar o pranto de dona Hilda, não aguentei e tive que sair da sala. Ela já tinha perdido o marido, não merecia perder a filha também.

A vida de casado no começo era boa, muitas descobertas, e o amor que eu sentia por Júlia só aumentava. Ela me conhecia tão bem, eu poderia dizer que até melhor do que eu mesmo... Mas nem tudo é só flores, nós tínhamos nossas brigas, mas contornávamos e fazíamos as pazes. Depois de um ano e meio de casado, uma surpresa inesperada nos pegou. Júlia estava gravida! A notícia de ser pai assustava um pouco, mas ao mesmo tempo era a alegria incontrolável. Gabriel, meu pequeno campeão, nasceu ao amanhecer. Ele era um raio de sol em nossa vida, ninguém nunca se sentiu o cara mais sortudo do mundo, igual a mim enquanto segurava meu filho no colo. Assisti todo o parto e cortei o cordão umbilical do meu filho, e fui o primeiro a constatar que ele tinha os lindos olhos verdes da mãe. 

- Olá eu sou o doutor Fabrício Rezende, vocês são familiares da paciente Júlia Fagundes? 
- Sim sou a mãe dela, e ele é o marido. Como está minha filha? - perguntou dona Hilda.
- Bom foi por pouco que não a perdemos, conseguimos tratar da hemorragia e tratamos do traumatismo que ela sofreu. Só que ela não acordou ainda da cirurgia e temo em dizer que ela pode estar em estado de coma. - Meu chão sumiu naquele momento, senti que o solo fugiu dos meus pés. Como assim minha pequena, minha Júlia em coma? Ela se foi, estava morta, só o seu coração batia, mas estava morta. E a culpa era minha. Não consegui ouvir mais nada que o médico falava, só andava lentamente para fora do hospital. 

Com o nosso filho recém nascido, a responsabilidade aumentava. Júlia teria que parar de trabalhar por um tempo. Meses depois, a empresa em que eu trabalhava faliu e eu fiquei se emprego. Júlia teve que voltar mais cedo para o trabalho. E foi ai que tudo começou, foi ai que as primeiras rachaduras do nosso relacionamento começaram. Ela começou a me cobrar, chegava todo os dias do trabalho irritada, e me acusava de não fazer nada em casa. Eu não tinha culpa de ter perdido o meu emprego. Tudo bem que eu pouco ajudava em casa, só ficava com Gabriel, mas não lavava um louça. Só que não suportava as acusações. Meses depois consegui um novo emprego, gente nova, amigos novos, e rachaduras novas no me u casamento. Fui me distancia de minha família e saindo mais com meus amigos. E as cobranças foram aumentando, chegou um tempo em que chegava tarde da noite só para não ouvir Júlia reclamando. Admito que até cheguei a flertar com umas colegas de trabalho, pois o buraco que havia em meu casamento era grande. Mas nunca a trai. Só que em vez de acabar com aquilo meu orgulho me impedia. E hoje lá estava eu em mais uma noitada com os meus amigos enquanto minha mulher cuidava de meu filho doente. E agora talvez não pudesse nunca mais o vê-lo. Pois na tentativa de salvar, eu só a maltratei e agora estava jurado a perde-la para sempre. 

Always



Sabe naquelas horas em que você diz algo sem pensar, e na mesma hora se arrepende? Pois é, pena por que depois não tem como mudar já foi dito, e as consequências são graves...

- VOCÊ NÃO TEM RESPEITO POR MIM RODRIGO- Gritou Júlia na frente do bar, claro que ela esta certa.
- VOCÊ FALA DE RESPEITO? VOCÊ POR ACASO ME RESPEITA? ISSO QUE ESTA FAZENDO AGORA É RESPEITO? - Revidei, eu estava nervoso tinha tomado algumas a mais e nem mais me controlava. 
- Você não merece respeito, estava ai bebendo com um monte de mulher, me deixou em casa com o NOSSO filho doente! - gritou ela em prantos.
- E esta fazendo o que aqui? Não estou em casa pra não ouvir suas reclamações! 
- Quer saber você é um egoísta, só se preocupa com o seu bem estar... - o olhar dela era de decepção - Eu vou embora, não aguento mais você! 
- Então vai! - Ela me olhou espantada, com muita magoa no olhar. Eu não queria ter dito aquilo, mas eu estava bravo. Tarde demais pra me arrepender. Fiquei olhando quando ela entrou no carro aos prantos, virei para pegar minhas coisas dentro do bar, quando ouvi um estrondo. Virei-me assustado e só o que vi era o corpo de minha mulher lançado para fora do carro, e ele totalmente destruído... 

Júlia era linda! Nos conhecemos na faculdade, um amigo nos apresentou e foi encanto na primeira vista. Ela era especial, se destacava no meio da multidão com seus cabelos castanhos claro encaracolados até a metade das costa. Tinha uns olhos verdes que brilhavam como o mar. Mas não era só o seu perfil físico que eu amava, e sim o jeito moleca dela de ser, o sorriso infantil, a risada escandalosa dela, e principalmente o jeito que ela mordia os lábios quando estava nervosa ou quando bufava quando a chamava de baixinha. Tudo nela, me encantava e eu a queria comigo. Nosso namoro era ótimo a cada minuto que eu passava com ela, eu me convencia que tinha achado a mulher da minha vida. E não demorou muito até que a pedi em casamento. Toquei para ela Always do Bon Jovi na frente da faculdade inteira. E ela aceitou. 

- Vamos um, dois, três! - Gritava um dos paramédicos enquanto tentava reanimar Júlia. 
- POR FAVOR NÃO ME DEIXA! - Gritava em vão.
- Senhor se afaste por favor! - pediu um policial.
- Ela é minha esposa! - chorava quem nem uma criança, ela não podia me deixar. Não podia!

Os pais dela acharam que eu estava me precipitando em pedi-la em casamento sendo que ela só tínhamos vinte e três anos, mas eu não achava, amava aquela mulher como nunca tinha amado outra. Então ficou combinado que depois que terminássemos a faculdade poderíamos nos casar. Achei justo, assim teríamos tempo pra arrumar nossa casa e os preparativos. E depois de dois anos lá estava eu a esperando no altar. Nunca fiquei tão nervoso na minha vida, meu coração batia feito uma bateria de escola de samba. Mas tudo se acalmou quando a vi entrando na igreja. Na minha adolescência jurava que nunca iria me casar, anos depois eu estava em um altar chorando ao ver minha futura esposa atravessando o tapete vermelho com um lindo vestido branco vindo na minha direção com o sorriso mais lindo. Eu jurei que aquele casamento seria pra sempre. 

- Ela não reage, acho que não tem mais jeito. - informou um paramédico
- Por favor não tente mais uma vez, eu imploro. - chorava, olhando para o rosto dela todo ensanguentado, esperando que ela abrisse os olhos. 
- Tudo bem mais uma vez. - Fiquei olhando o trabalho deles, rezando que minha Júlia voltasse, eu não saberia viver sem ela. Só que ela não respondia.
- Não dá, ela não reage. Sinto muito nós a perdemos. 
- NÃO! JÚLIA! 



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Distantes (continuação)


Sabe aquelas cena de filme onde tudo fica em câmera lenta? Pois é foi assim que me senti ao vê-lo saindo do portão de desembarque. Nada ao meu redor fez sentido, tudo ficou apagado e minha única visão era Gabriel. Seguindo meus impulso fui obedecendo os meus instintos. Minhas pernas moviam-se para o encontro dele, eu nem percebi que eu corria dentre as pessoas para alcança-lo. Quando seus olhos se encontraram com os meus  ele abriu o sorriso mais lindo que ele tinha. Aquele que eu só via por fotos ou pela WEB CAN. 
Parei na frente dele não acreditando no que estava vendo. O garoto que eu só via pela computador ali na minha frente. 
- Mel... - disse ele parado na minha frente. Foi o que bastou pra eu me jogar nos braços dele. 
- Gabriel. - murmurei contra o pescoço dele. 
Era uma sensação indescritível estar nos braços dele. Foi como um reencontro, não como a primeira vez. Era como se eu estivesse esperando por ele a minha vida toda, e agora ele estava ali na minha frente. 
Mas nosso encanto foi logo quebrado pelo nossos pais. Dai foram feitas todas as apresentações e muita conversa. Depois de muita conversa, e finalmente meu pai sair do meu pé, consegui ficar a sós com Gabriel.
- Meu Deus, eu ainda custo a acreditar que você esta aqui do meu lado. - disse para ele, olhando fundo naqueles olhos castanhos.
- Sei que você duvidou de mim, mas eu vim, não aguentava mais ficar um segundo sem ver você pessoalmente. 
- Eu também não. - disse emocionada 
- Não sabe como eu sonhei com o dia que iria poder olhar nos teus olhos assim de pertinho, ouvir tua voz,sentir teu cheiro, o calor da tua pele... 
E então depois de quase cinco meses de namoro virtual, o que eu a mais esperava aconteceu. O nosso primeiro beijo. Era como estar nas nuvens, sentido aqueles lábios nos meus, sentindo a respiração dele na minha pele, e o calor que os braços dele tinham quando ele me abraçava. 
Ele ficou apenas uma semana, mas foi a melhor semana da minha vida eu podia dizer. Não nós largamos nem por um segundo. Ficou mais que comprovado que o que nós tínhamos era sério e verdadeiro. Afinal quem não era atoa que alguém viria de outro estado só pra me ver. 
Só que depois da semana "mágica" que tive, ele teve que ir. Mas prometeu que iria voltar, só que as lágrimas foram inevitáveis. 
- Melissa, não chore eu já provei que gosto de você e vim até te ver, eu vou voltar. - disse ele me consolando enquanto estava agarrada nele. 
- Prometo também que vou te visitar. - disse perdida naquele olhar dele que me fazia flutuar. 
- Acho bom mesmo, quero te mostrar o meu canto especial... 
- Gabriel essa semana foi a melhor obrigada por vir, nunca me esquecerei... - aquilo era a coisa mais sincera e verdadeira.
- Ei haverá muitas outras, isso não é uma despedida e sim um até logo. - seus dedos acariciavam meu rosto, limpando as lágrimas que caiam do meu rosto.
- Eu te amo. - disse pela primeira vez a ele. E logo ele abriu aquele sorriso mais lindo do mundo.
- Eu também amo você, minha pequena, minha Mel.. 
Incrível foi como a vida nos uniu. Se alguém me dissesse que algo tão maravilhoso assim aconteceria comigo, eu não acreditaria. Mas já chega de duvidas, agora eu podia ver que a distancia não era nada. Mesmo distantes eu sabia que agora eu era feliz de verdade, e que aquele amor não iria acabar...




Distantes





Eu nunca imaginei que aquele dia iria chegar. Eu ainda custava a acreditar, mesmo com todas as provas, que ele estava vindo me ver. Eu ainda custava a acreditar que em poucos minutos, nós estaríamos frente a frente. 

Tudo começou há uns cinco meses. Eu havia acabado de ter um grande decepção amorosa, e estava convicta que não queria me apaixonar nunca mais. Eu estava decida mesmo, tinha sofrido muito da ultima vez e ainda estava muito machucada. Mas o tempo foi passando e o único jeito era seguir em frente, e nesse meio tempo conheci o Gabriel. Ele tinha um blog e eu comecei a acompanhar. Ele resumia tudo em poucas palavras tudo o que eu sentia e num desses dias me enchi de coragem e resolvi mandar um "oi" pra ele parabenizando o blog e tudo mais. Ele um garoto super simpático me encantou. Tudo bem que ele tinha um monte de seguidoras   e eu achava que nunca iria me responder, mas aconteceu ao contrario. Ele me respondeu e logo depois eu o adicionei em todas as minhas redes sociais e deu certo, por que logo começamos a conversar e a nós conhecer. 
Gabriel também tinha um caso de desilusão amorosa, e nós trocamos nossas experiências. Em pouco tempo nos tornamos muito amigos e o nosso passado foi ficando aonde tinha que ficar. Tínhamos muitas coisas em comum, como gostos musicais, livros preferidos e filmes preferidos. Eu passava horas em frente ao computador conversando com ele. Ainda me lembro da primeira vez que ele me ligou. Ele tinha me avisado só que eu não esperava. No primeiro minuto ficamos com vergonha, mas logo caímos na gargalhada rindo da voz do outro. Ficamos exatamente duas horas e meia ao telefone. Claro levei a maior bronca, mas valeu a pena escutar aquela voz grave e doce ao mesmo tempo. Logo o que eu tinha jurado que nunca mais iria acontecer, já estava explicito. Eu estava apaixonado por Gabriel e era correspondida. 
Mas nem tudo são flores, Gabriel morava em outro estado ou seja seria quase impossível manter aquele romance. Mas o nosso sentimento era verdadeiro, por mais que eu nunca tivesse visto pessoalmente e não soubesse como ele realmente era, eu me sentia feliz como nunca tinha me sentindo antes. Era difícil, pois meus pais logo arrumaram um escândalo, dizendo que eu podia estar me envolvendo com gente pouco confiável, e podiam até me sequestrar e tudo mais, eu não conseguia ficar sem falar com Gabriel. Chegava e corria para o computar conversar com ele, passava madrugadas vendo ele pela Web Can, e quando não dava gastava todos meu créditos mandando mensagens para o celular. Em uma dessas nossas conversas pelo telefone, que não aconteciam muito pois a ligação era cara, meu pai resolveu conversar com ele e até com os pais de Gabriel. Ficaram mais de uma hora no telefone, eu fiquei muito apreensiva enquanto a conversa rolava mas no fim meu pai disse que eu poderia continuar com esse "namorico" como ele gostava de dizer, desde que eu maneirasse nas ligações. Ufa uma batalha tinha sido vencida, mas no fundo eu sabia que meu pai só estava aceitando por que e achava que o meu namoro acabaria logo...
Já estávamos há três meses namorando pela internet, só que estava ficando cada vez mais difícil, por que eu queria vê-lo, senti-lo, saber qual o cheiro do perfume dele, ouvir a voz dele bem no meu ouvindo enquanto sua respiração sobrava na minha pele. Doía mais ainda quanto tinha dia que não conseguíamos nos falar, as vezes uma SMS não servia de consolo. Isso começou a me afetar e eu já estava ficando cheia de carminholas na cabeça pensando mil coisas. Por mais que eu nunca tivesse visto, ele me vazia uma falta tão grande que chegava a doer. A distância doía muito. 
Mas meu aniversário estava próximo, e foi quando recebi a melhor noticia da minha vida. Ele estava com tudo pronto pra vir me visitar! Meu coração faltou sair pela boca de tanta felicidade. Eu iria ver Gabriel! Era meu presente de aniversário. Ele chegaria um pouco antes do meu aniversário pra podermos ficar juntos. Meus pais quase surtaram quando contei as novidades, mas como ele viria com os pais ele aceitaram melhor. Nossa casa era grande então poderíamos hospeda-los confortavelmente. 
E depois de meses de espera o grande dia chegou. Eu não havia dormido nada só a espera de vê-lo. Nunca as horas passaram tão devagar como naquele dia. No aeroporto meu coração batia descompassadamente, estava gelada. A cada vôo que era anunciado eu parecia que ia desmaiar. Era muita ansiedade. 
Mas antes que eu acabasse morrendo, o vôo dele tinha chego. A cada pessoa que saia da sala de desembarque a ansiedade aumentava misturada com medo, receio e felicidade. Até que eu o vi. 


Continua...