quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Acaso


E ele estava eu me decepcionando mais uma vez. Enquanto eu chorava em minha cama, ele curtia a noite com suas " amigas". Enquanto eu pedia que ele voltasse, ele saia cada vez mais atras de suas diversões. É eu era uma grande idiota. Merecia sofrer, mas quando se ama alguém você fica completamente idiota. Você cria expectativas e se fode depois. Meus olhos faltaram saltar da cara quando cheguei a um bar e lá estava ele se agarrando com uma das garotas que se dizia minha amiga. Aquilo foi a gota d'água pra mim. Aquilo foi fim.
Sai em disparada do bar, poderia ter saído calmamente, porque ali ninguém notou minha presença, acho que nunca notaram.  Mas correr era bom, fazia que minha mente só se concentrasse na velocidade que eu tinha que colocar nos meus pés. Meu fôlego faltava, mas eu não queria parar, só que te tão transtornada que estava fui parar no chão. Cai de cara na grama de uma praça. Arfava contra a grama, meu corpo tremia todo, não tinha forças de levantar. Só sentia meu peito subindo e descendo em ritmo acelerado. Eu estava literalmente e sentimentalmente no chão.
- Está tudo bem? - perguntou alguém em tom urgente enquanto tocava meu ombro. Não conseguia dizer nada só fiquei ali, sem ter o que dizer. - Responda você esta bem? Sente algo?
Meu corpo só começou a tremer mais e mais e o que eu já espera, um soluço alto escapou de minha garganta, seguido de mais outro e logo uma enxurrada de lágrimas começou a cair. Oh que ótimo o pouco de dignidade que eu tinha, havia ido pro ralo!
- Ei calma, esta tudo bem, venha eu te ajudo a se levantar. - Logo um garoto que eu nunca tinha visto na minha vida, me ajudou a se levantar. Colocou-me no banco cuidadosamente, e sentou ao meu lado, enquanto eu soluçava. Que patético. - Calma, esta tudo bem. - Dizia tentando me acalmar e passando as mãos nas minhas costas tentando me consolar.
Depois de incontáveis minutos, eu fui me acalmando. Olhei para a pessoa que me ajudava sem me perguntar nada durante esse meu pranto, e senti que deveria ter ficado na grama e me enterrado nela. Seus olhos eram gentis me, não me olhava com pena e sim com preocupação como se soubesse tudo o que eu estava sentindo naquele minuto.
- Esta melhor agora? - perguntou preocupado. Só assenti que sim, não sabia o que dizer. - Eu sou o Felipe
- Camila, meu nome é Camila. - disse baixo o encarando.
-Esta tudo bem com você? Aconteceu alguma coisa? - perguntou ele
- Só estava fugindo... - disse olhando para o horizonte, me sentindo uma completa idiota.
- Alguém estava te perseguindo? Quer que eu chame alguém? 
- Não, era só fugindo de mim mesma, das minhas escolhas erradas, das minhas decepções...
- Tem coisas que não tem como fugir, todos comentem erros, mas eles não são eternos. A gente escolhe errado uma vez, pra aprender, é a vida.  - Parei por um minuto, para encarar aquele garoto do eu lado. Uma pessoa que nunca tinha visto na vida, que em menos de cinco minutos estava me aconselhando. Tudo bem que nessas horas onde tudo dá errado e você esta mal, os conselhos entram num
ouvido e saem pelo outro. Mas mesmo assim me fez parar. 
- Olha sei lá o que houve com você, e nós nem nos conhecemos, e não estou nem um pouco afim de passar sermão ou lição de moral, só estou dizendo o que eu aprendi, nessa pouco vivencia na terra. - O jeito dele falar me fez dar um leve sorriso.
- Você não é daqui né? - perguntei mudando completamente de assunto 
- Não, mudei faz uns três dias, é tão na cara assim?
- Não é que nunca o vi por aqui... Deve estar achando que o pessoal daqui ou eu né é meio doido não? - disse querendo enfiar minha cara num buraco.
- Nem passou isso pela minha mente, fique tranquila.  Só acho que precisa cuidar desse machucado na perna. - nem tinha percebido que havia me machucado.
- Acho bom eu ir para casa cuidar disso. - Disse analisando o corte, nada que água e sabão não curassem, as dores internas que me preocupavam quando eu ficasse sozinha. 
- Se você quiser eu posso te acompanhar, mesmo eu não sabendo o caminho. Alguém tem que segurar caso você caia de novo. - disse ele meio tímido.
- Tudo bem para você me acompanhar? Minha casa não é tão longe... - disse aquilo para não parecer desesperada, mas por dentro eu queria muito que ele me acompanhasse.
- Não posso ir sim, também não moro longe daqui... 
Fomos andando e nós conhecendo, Felipe tinha dezessete anos e também estudaria na mesma escola que eu, havia se mudado junto com sua família. Quando chegamos na minha rua, descobrimos que éramos vizinhos. Depois me deixou na porta de casa, me desejando boa noite. 
Nada demais num simples momento, mas as vezes coisas ruins acontecem para as melhores virem. Não estou prevendo nada, nem querendo nada. Mas as vezes o socorro pode vir de quem você menos espera, Deus não dá o que você quer e sim o que precisa...

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