terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Always



Sabe naquelas horas em que você diz algo sem pensar, e na mesma hora se arrepende? Pois é, pena por que depois não tem como mudar já foi dito, e as consequências são graves...

- VOCÊ NÃO TEM RESPEITO POR MIM RODRIGO- Gritou Júlia na frente do bar, claro que ela esta certa.
- VOCÊ FALA DE RESPEITO? VOCÊ POR ACASO ME RESPEITA? ISSO QUE ESTA FAZENDO AGORA É RESPEITO? - Revidei, eu estava nervoso tinha tomado algumas a mais e nem mais me controlava. 
- Você não merece respeito, estava ai bebendo com um monte de mulher, me deixou em casa com o NOSSO filho doente! - gritou ela em prantos.
- E esta fazendo o que aqui? Não estou em casa pra não ouvir suas reclamações! 
- Quer saber você é um egoísta, só se preocupa com o seu bem estar... - o olhar dela era de decepção - Eu vou embora, não aguento mais você! 
- Então vai! - Ela me olhou espantada, com muita magoa no olhar. Eu não queria ter dito aquilo, mas eu estava bravo. Tarde demais pra me arrepender. Fiquei olhando quando ela entrou no carro aos prantos, virei para pegar minhas coisas dentro do bar, quando ouvi um estrondo. Virei-me assustado e só o que vi era o corpo de minha mulher lançado para fora do carro, e ele totalmente destruído... 

Júlia era linda! Nos conhecemos na faculdade, um amigo nos apresentou e foi encanto na primeira vista. Ela era especial, se destacava no meio da multidão com seus cabelos castanhos claro encaracolados até a metade das costa. Tinha uns olhos verdes que brilhavam como o mar. Mas não era só o seu perfil físico que eu amava, e sim o jeito moleca dela de ser, o sorriso infantil, a risada escandalosa dela, e principalmente o jeito que ela mordia os lábios quando estava nervosa ou quando bufava quando a chamava de baixinha. Tudo nela, me encantava e eu a queria comigo. Nosso namoro era ótimo a cada minuto que eu passava com ela, eu me convencia que tinha achado a mulher da minha vida. E não demorou muito até que a pedi em casamento. Toquei para ela Always do Bon Jovi na frente da faculdade inteira. E ela aceitou. 

- Vamos um, dois, três! - Gritava um dos paramédicos enquanto tentava reanimar Júlia. 
- POR FAVOR NÃO ME DEIXA! - Gritava em vão.
- Senhor se afaste por favor! - pediu um policial.
- Ela é minha esposa! - chorava quem nem uma criança, ela não podia me deixar. Não podia!

Os pais dela acharam que eu estava me precipitando em pedi-la em casamento sendo que ela só tínhamos vinte e três anos, mas eu não achava, amava aquela mulher como nunca tinha amado outra. Então ficou combinado que depois que terminássemos a faculdade poderíamos nos casar. Achei justo, assim teríamos tempo pra arrumar nossa casa e os preparativos. E depois de dois anos lá estava eu a esperando no altar. Nunca fiquei tão nervoso na minha vida, meu coração batia feito uma bateria de escola de samba. Mas tudo se acalmou quando a vi entrando na igreja. Na minha adolescência jurava que nunca iria me casar, anos depois eu estava em um altar chorando ao ver minha futura esposa atravessando o tapete vermelho com um lindo vestido branco vindo na minha direção com o sorriso mais lindo. Eu jurei que aquele casamento seria pra sempre. 

- Ela não reage, acho que não tem mais jeito. - informou um paramédico
- Por favor não tente mais uma vez, eu imploro. - chorava, olhando para o rosto dela todo ensanguentado, esperando que ela abrisse os olhos. 
- Tudo bem mais uma vez. - Fiquei olhando o trabalho deles, rezando que minha Júlia voltasse, eu não saberia viver sem ela. Só que ela não respondia.
- Não dá, ela não reage. Sinto muito nós a perdemos. 
- NÃO! JÚLIA! 



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