- Minha filha onde ela está? - Estava sentando na sala de espera, quando vi dona Hilda entrando aflita. - Rodrigo o que houve com Julia?
- Ela sofreu um acidente de carro, quase a perdemos dona Hilda. - disse sem conseguir olhar nos olhos de minha sogra, a culpa de me consumia.
- Mas como por que? Olha pra mim Rodrigo! - Implorava a senhora que sempre me tratou como um filho.
- Um carro em alta velocidade a atingiu num cruzamento, ela perdeu muito sangue e por pouco não morreu. Agora foi trazida pra cá e esta na sala de operação, ela sofreu um traumatismo craniano. É só o que sei.
- Oh meu Deus, por favor não leve minha filha... - Ao olhar o pranto de dona Hilda, não aguentei e tive que sair da sala. Ela já tinha perdido o marido, não merecia perder a filha também.
A vida de casado no começo era boa, muitas descobertas, e o amor que eu sentia por Júlia só aumentava. Ela me conhecia tão bem, eu poderia dizer que até melhor do que eu mesmo... Mas nem tudo é só flores, nós tínhamos nossas brigas, mas contornávamos e fazíamos as pazes. Depois de um ano e meio de casado, uma surpresa inesperada nos pegou. Júlia estava gravida! A notícia de ser pai assustava um pouco, mas ao mesmo tempo era a alegria incontrolável. Gabriel, meu pequeno campeão, nasceu ao amanhecer. Ele era um raio de sol em nossa vida, ninguém nunca se sentiu o cara mais sortudo do mundo, igual a mim enquanto segurava meu filho no colo. Assisti todo o parto e cortei o cordão umbilical do meu filho, e fui o primeiro a constatar que ele tinha os lindos olhos verdes da mãe.
- Olá eu sou o doutor Fabrício Rezende, vocês são familiares da paciente Júlia Fagundes?
- Sim sou a mãe dela, e ele é o marido. Como está minha filha? - perguntou dona Hilda.
- Bom foi por pouco que não a perdemos, conseguimos tratar da hemorragia e tratamos do traumatismo que ela sofreu. Só que ela não acordou ainda da cirurgia e temo em dizer que ela pode estar em estado de coma. - Meu chão sumiu naquele momento, senti que o solo fugiu dos meus pés. Como assim minha pequena, minha Júlia em coma? Ela se foi, estava morta, só o seu coração batia, mas estava morta. E a culpa era minha. Não consegui ouvir mais nada que o médico falava, só andava lentamente para fora do hospital.
Com o nosso filho recém nascido, a responsabilidade aumentava. Júlia teria que parar de trabalhar por um tempo. Meses depois, a empresa em que eu trabalhava faliu e eu fiquei se emprego. Júlia teve que voltar mais cedo para o trabalho. E foi ai que tudo começou, foi ai que as primeiras rachaduras do nosso relacionamento começaram. Ela começou a me cobrar, chegava todo os dias do trabalho irritada, e me acusava de não fazer nada em casa. Eu não tinha culpa de ter perdido o meu emprego. Tudo bem que eu pouco ajudava em casa, só ficava com Gabriel, mas não lavava um louça. Só que não suportava as acusações. Meses depois consegui um novo emprego, gente nova, amigos novos, e rachaduras novas no me u casamento. Fui me distancia de minha família e saindo mais com meus amigos. E as cobranças foram aumentando, chegou um tempo em que chegava tarde da noite só para não ouvir Júlia reclamando. Admito que até cheguei a flertar com umas colegas de trabalho, pois o buraco que havia em meu casamento era grande. Mas nunca a trai. Só que em vez de acabar com aquilo meu orgulho me impedia. E hoje lá estava eu em mais uma noitada com os meus amigos enquanto minha mulher cuidava de meu filho doente. E agora talvez não pudesse nunca mais o vê-lo. Pois na tentativa de salvar, eu só a maltratei e agora estava jurado a perde-la para sempre.

Nenhum comentário:
Postar um comentário