Ela estava a um passo da liberdade. Era só fechar os olhos que ela podia sentir o vento e o calor de seu corpo leve como uma pluma. Muitos não sabem mas os piores pesadelos você os tem com os olhos abertos. E era esses pesadelos que ela iria apagar. Era essa vida mediócre que ela iria dar cabo para sempre.
Olhando para trás só havia uma coleção de decepções, magoas, raiva, dores e choro, que ainda a acompanhavam no dia a dia. Olhando para frente só existia um breu sinistro que parecia engoli-la. Era uma mar de incertezas que a fazia perder os sentidos, a vontade se esvaia. Mas não daria a velha desculpa esfarrapada, sim tinha solução, mas ela não queria essa solução. Não aguentava mais um minuto ver seu olhos se abrindo para aquela vida. Hoje ela iria fechar e pretendia nunca mais abrir.
Ao andar pelo redor da casa, tinha um sorriso irônico nos lábios. Muitos iriam dizer que era um desperdício, mas a vida era dela, ela quem vivia, ela que decidia se era um desperdício ou não. As lembranças chegam como um balde em sua mente. Tudo ali vivido não lhe dava saudade e sim mais ganas de acabar com aquilo. Seus punhos se fechavam de ódio de cada humilhação, de cada riso de sarcasmo dirigido a ela, a cada noite me claro engolindo sapos. Quem ri por ultimo ri melhor. Ela sairia vitoriosa, por que sofre mais quem continua vivo. Gargalhou ruidosamente ao imaginar a cara de besta daqueles que sempre duvidaram dela. Idiotas! Vocês perderam!
Parou em frente a mesa da cozinha e lá estava ele. Sua passagem de liberdade mórbita. Não perdeu tempo e jogou tudo goela a baixo a seco. O gosto amargo desta vida que ela acabou de pular, descia pela sua garganta asperamente. Mas não incomodava, só fazia jus ao seu estado de espirito; áspero. Agora é só esperar.
A solidão nunca lhe deu medo e sim felicidade, e era isso que sentia ao ver seus olhos pesarem com o tic tac do relógio. Era um misto de ansiedade, como se fosse ganhar um brinquedo novo. Seu coração estava descompassadamente, ela quase chegava a ouvi-lo. Mas aos poucos o que sentia foi um torpor como quem quase pega no sono. E embalada nesta nostalgia sentia seu peito subir e descer pela ultima vez!
Adeus prisão. Olá liberdade!




