quarta-feira, 21 de março de 2012

Liberdade


Ela estava a um passo da liberdade. Era só fechar os olhos que ela podia sentir o vento e o calor de seu corpo leve como uma pluma. Muitos não sabem mas os piores pesadelos você os tem com os olhos abertos. E era esses pesadelos que ela iria apagar. Era essa vida mediócre que ela iria dar cabo para sempre. 
Olhando para trás só havia uma coleção de decepções, magoas, raiva, dores e choro, que ainda a acompanhavam no dia a dia. Olhando para frente só existia um breu sinistro que parecia engoli-la. Era uma mar de incertezas que a fazia perder os sentidos, a vontade se esvaia. Mas não daria a velha desculpa esfarrapada, sim tinha solução, mas ela não queria essa solução. Não aguentava mais um minuto ver seu olhos se abrindo para aquela vida. Hoje ela iria fechar e pretendia nunca mais abrir. 
Ao andar pelo redor da casa, tinha um sorriso irônico nos lábios. Muitos iriam dizer que era um desperdício, mas a vida era dela, ela quem vivia, ela que decidia se era um desperdício ou não. As lembranças chegam como um balde em sua mente. Tudo ali vivido não lhe dava saudade e sim mais ganas de acabar com aquilo. Seus punhos se fechavam de ódio de cada humilhação, de cada riso de sarcasmo dirigido a ela, a cada noite me claro engolindo sapos. Quem ri por ultimo ri melhor. Ela sairia vitoriosa, por que sofre mais quem continua vivo. Gargalhou ruidosamente ao imaginar a cara de besta daqueles que sempre duvidaram dela. Idiotas! Vocês perderam! 
Parou em frente a mesa da cozinha e lá estava ele. Sua passagem de liberdade mórbita. Não perdeu tempo e jogou tudo goela a baixo a seco. O gosto amargo desta vida que ela acabou de pular, descia pela sua garganta asperamente. Mas não incomodava, só fazia jus ao seu estado de espirito; áspero. Agora é só esperar.
A solidão nunca lhe deu medo e sim felicidade, e era isso que sentia ao ver seus olhos pesarem com o tic tac do relógio. Era um misto de ansiedade, como se fosse ganhar um brinquedo novo. Seu coração estava descompassadamente, ela quase chegava a ouvi-lo. Mas aos poucos o que sentia foi um torpor como quem quase pega no sono. E embalada nesta nostalgia sentia seu peito subir e descer pela ultima vez!
Adeus prisão. Olá liberdade!

domingo, 18 de março de 2012

Pagina virada



Talvez  hoje já não tenha mais importância, talvez seja só saudade daquele tempo que você achava que era feliz, mas na verdade foi só ilusão. O que sobrou foi o sentimento de carinho, pois um dia significou algo, um dia fez uma enorme diferença no teu dia, um dia doeu muito e hoje é só mais uma cicatriz. 
Como dizem tudo passa, as pessoas mudam, os sentimentos mudam. Sim eu voltaria ao passado para ter aquele velho sorriso bobo no rosto e milhares de borboletas no estomago. Naquela época era bom, me fazia feliz, me vazia sonhar, me fazia sofrer, me fazia chorar, me fazia levantar... Naquela época. Hoje é diferente, hoje é só uma nostalgia constante de que não foi dessa vez, e infelizmente me fez ver que foi só uma fase em vão. Será que foi amor mesmo? Será que valeu a pena mesmo tudo aquilo? Sera que não foi demais? Sera? E isso me faz pensar no interminável " e se". E e se são totalmente inofensivos quando não usados na mesma frase e nessa ordem " e se". E se eu tivesse seguido em frente antes? E se eu tivesse me valorizado mais? E se eu não tivesse me iludido tanto? E se... Mas no fundo o que passou passou, sim eu mudaria o passado se fosse para melhorar o meu presente, mas as vezes é preciso desses erros. Pelo menos não há arrependimentos, eu fiz o que eu sentia naquele momento aquilo que eu achava que era o certo para minha vida. Não deixei de viver  e fui atrás do que eu queria, me arrisquei. 
Hoje posso dizer me livrei das garras dos meu passado, definitivamente não quero mais no futuro. No fundo eu já havia percebido isso antes, mas minha realidade não me agrada e eu precisava viver de felicidades passadas para continuar. Grande engano, talvez eu precise construir novas felicidades... Mas no fundo eu me entristeço. Por que foi. Todas as lagrimas sentidas debaixo do meu chuveiro, foram em vão. Por que não havia jeito, tinha que ser assim não havia como mudar esta realidade (mais uma vez) e sabe, eu tenho medo de que seja sempre assim, só um monte de excitação momentânea, que quando acabar de vez você percebe que não adiantou nada lutar, tinha que acabar. 


quinta-feira, 8 de março de 2012

Saudades



Estou em uma semana nostálgica, sentindo falta de tudo aquilo que vivi, sentindo falta da minha rotina. E como não lembrar do passado e não me lembrar dele? É impossível, pois a maioria de minhas lembranças só da ele. Se passaram quatro meses desde a ultima vez que eu o vi frente a frente. Hoje as imagens dele são distorcidas em minha mente, e lembrar nem dói tanto assim, mas dá um vazio. Fotos, musicas, textos,  filmes e juro até um perfume foram para o lixo, mas nenhum deles levou junto o sentimento, ele continua aqui, pode estar trancado em um cofre a sete chave e reprimido de ser manifestado, mas que ele nunca foi embora ah isso não foi. E não há um só dia da minha vida que eu não lembre de alguma coisa, e ainda sorrio. Não penso com dor, mas com saudade. Será que isso é só uma fase? Onde lembranças invadem a mente e façam com que a gente queria que aquela velha rotina volta, pois a atual esta um saco? Não sei, ultimamente não ando pensando no assunto, estou deixando literalmente a vida me levar nesse aspecto. Minha mente esta em outras coisas... 
Dizem que a aquela ultima pessoa que você pensa antes de dormir é o dono do teu coração e os meses passara mas eu ainda penso em você antes de dormir, e ainda desejo do fundo da minha alma que tudo esteja correndo bem na tua vida. Há uns dois meses atrás eu ainda achava que iria voltar, idealizava sua volta, hoje prefiro manter meus pés no chão, prefiro pensar que logo só será uma mera lembrança de adolescente. Se alguém pedisse para eu fazer um pedido, não sei se minha escolha seria você, talvez pediria que fosse feliz, melhor se fosse comigo, mas se não for desejo a felicidade mesmo assim. Talvez esse seja o desejo de uma amante totalmente altruísta, mas nunca iria desejar o mal de alguém que eu amei (amo). 
No fim dizem que amores impossível não tem um fim, por que nunca tiveram a oportunidade de começar... Vai ver essa é a razão disso continuar dentro de mim. 


A balada perfeita.



Final de semana para mim era sinal de: BALADA! Tudo bem nunca foi assim, confesso que esse final de semana eu estava indo a minha primeira balada. Era uma comemoração aos meus dezoito anos. Tinha que entrar com louvor a vida independente. Depois de dezessete anos presa em casa com uma mãe um pouco (muito) controladora, eu havia ganhado meu alvará de liberdade. Primeiramente eu havia passado em uma ótima faculdade, cursaria jornalismo e teria que mudar de cidade graças ao curso. Moraria com meu grupo de amigas, ou seja bagunça na certa! 
Depois da produção phina para a baladinha, short, camiseta branca, e um colete e um salto para dar um up (um up bem grande, pois só tenho um metro e sessenta de altura) Bora se jogar na dança. 
Depois de encontrar com a turma, seguimos para a boate. Sabe aquele filmes de patricinha americana que chegam num lugar luxo, e os seguranças deixam a entrar com preferência enquanto existe uma fila gigante na porta? Eu estava me sentindo assim, dentro do carro, pelo menos até aquele momento. Mas chegando no local, paramos em frente a uma boate no meio de um lugar bem estranho, tipo no meio do nada. Um cara muito mal encarado estava na porta e tipo ele parecia ter uns dois metros de altura. Tipo senti medo, cade o lugar luxo? O segurança gato? Fail total. 
- Calma amiga, lá dentro é bem legal. - disse Ju me acalmando vendo minha cara de medo. 
O lugar por dentro até que era legal. Eu tinha viajado legal na minha imaginação, mas olhando ao redor nada que me fizesse surtar mais de medo. A pista estava bombando de gente, e o som fazia as paredes estremecerem. Vi minhas amigas curtindo o som e resolvi curtir também. Era minha primeira vez num lugar assim logo me acostumaria.
Depois de uns trinta minutos na pista eu já estava cansada, suada, com dor nos pés por causa do salto e com muita raiva por que um carinha mega chato não saia do meu pé. Não sei quantos foras eu já havia dado só naquela meia hora. Resolvi ir ao bar, tinha dezoito anos podia beber e talvez o meu humor melhorasse. 
- Um eu quero Tequila - disse pedindo ao bar men, que me olhou com cara de deboche. - Eu tenho dezoito querido. - disse pegando minha identidade. Ele só revirou os olhos e me serviu. Peguei o copinho e virei com tudo na garganta morta de sede, mas assim que engoli um pouco cuspi tudo de volta estranhando o gosto da bebida.
- Devia ir com calma. - disse um cara que estava parado ao meu lado rindo da minha cara. Dei uma conferida no gato e aprovei. Era alto, pele branca, mas tinha belos cabelos negros a e claro um sorriso sedutor. Não parecia velho eu daria no máximo uns vinte anos. Sorri sem graça e dei uma desculpa ao garoto.
- Só me engasguei. A bebida é um pouco forte. 
- E que tal começar com uma limonada? É bem leve. - disse sarcástico e debochado. Aquilo me irritou um pouco e para provar que não era nenhuma criança, resolvi pedir mais bebida, só que um pouco mais leve por que ninguém merece beber aquilo.
- Por favor, vodca. - pedi novamente ao bar men.
- Mas percebe-se mesmo hein que é uma inexperiente, misturar bebidas não faz muito bem a saúde sabia? 
- Eu aguento! - disse pegando minha garrafa, meio temerosa mas dei um belo gole. É nada mal, pelo menos.
- Essas crianças... 
- Então idoso qual a sua idade? - perguntei arqueando uma das sobrancelhas.
- Tenho vinte dois. E você? - fiquei na duvida ao dizer que tinha completos dezoito anos, mas resolvi não mentir.
- Tenho dezoito. - Passado o momento estranheza, tentávamos conversar apesar do barulho ensurdecedor. Depois de mais uns gole de bebida, e algumas palavras, ele me puxou para dançar a musica preferida dele, e mesmo eu estando um pouco tropega e alta pela bebida. 
Dançávamos colados ao som da batida da musica, tudo muito bom. Até que os meus sentidos foram alterados. O barulho começou a me enlouquecer e de repente só me lembro de terem apagado as luzes. 
Minha cabeça girava feito uma catraca de ônibus em horário de pico. Não sabia onde estava, só sabia que minha cabeça doía muito.
- Esta tudo bem? - Olhei para cima e estava deitava no colo, do gato que eu havia dançado a alguns minutos atrás. 
- Não! Minha cabeça estava pesada e doendo. - disse tentando me sentar.
- Falei para não misturar as bebidas. 
- É, percebi que esta noite foi um fiasco. Baladas são chatas barulhentas, e álcool. só faz você ficar tonta. Droga de noite. - resmunguei. 
- Relaxa, já fiz isso também é só ir com mais calma. - disse ele tirando sarro da situação.
- Ha, ir com calma para mim significa não fazer isso nunca mais. Oh e para completar o fiasco da noite meu celular esta sem bateria.
- Calma sua noite nem terminou, eu empresto meu celular para você e tudo fica bem.- acho que eu o estava irritando. Depois de ligar para minhas amigas dizendo que eu estava do lado de fora esperando-as. 
- Obrigada.- disse ao devolver o celular do garoto. - Ei percebeu que eu nem sei o seu nome?
- Eu também não sei o seu. Mas eu me chamo Gabriel. 
- Uhm e eu Camila. - ficamos um olhando para a cara do outro e sem motivo caímos na risada. - Desculpe estragar sua noite Gabriel. 
- Não estragou, ela ainda nem terminou... - disse malicioso
- Não? - perguntei confusa. 
- Não...- depois disso só senti os lábios dele nos meus. 
Bom a balada foi um saco, beber é um porre, mas devo admitir que aquele beijo, aquilo sim era bom. Eu espera pela balada perfeita, mas no final mesmo ganhei um beijo perfeito... 








segunda-feira, 5 de março de 2012

Saudade



Saudade é solidão acompanhada, 
é quando o amor ainda não foi embora, 
mas o amado já... 

Saudade é amar um passado que ainda não passou, 
é recusar um presente que nos machuca, 
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais... 

Saudade é o inferno dos que perderam, 
é a dor dos que ficaram para trás, 
é o gosto de morte na boca dos que continuam... 

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: 
aquela que nunca amou. 

E esse é o maior dos sofrimentos: 
não ter por quem sentir saudades, 
passar pela vida e não viver. 
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.



Pablo Neruda