domingo, 11 de novembro de 2012

Te Vivo. (parte 3)


NP: Do fundo do meu coração - Sandy&Junior.

Desde aquele dia eu e Luana começamos a sair juntos, só como amigos só que com alguns privilégios. Não sei o que se passava comigo, Luana definitivamente não saia da minha mente, queria ficar perto dela e vê-la o sorrindo. Meus amigos já estavam até estranhando o fato de eu querer ficar correndo atrás dela, só que era muito mais forte do que eu. Num feriado qualquer resolvi convida-la para um passeio na praia com a galera.
- Vamos vai ser divertido. - insisti a ela.
- Por que você ainda não largou do meu pé hein? - ironizou.
- Ah deixa disso, o que tem demais passarmos o final de semana sei lá juntos? - perguntei encabulado. - Gosto da sua companhia...
- Ah gosta é? Hum muito bom saber disso... - respondeu me deixando encabulada.
- Gosto somos amigos.... -ela sorriu com o que eu disse, e depois concordou. 
A casa de praia ficava em uma ilha afastada da cidade, a casa era de um dos meus amigos, e como ficava praticamente na beirada da praia, era quase como se fosse o nosso pedaço de terra. Luana com seu jeito irreverente conquistou a todos e logo estava enturmada. A cada dia que passava gostava mais da companhia dela e aquilo me incomodava, nunca havia sentido aquilo me consumindo...
Depois de um dia maravilhoso de sol, ao entardecer convidei-a para darmos um passeio pela praia só nós dois, só pra conversarmos. 
- Adoro vir a praia, lembra muito a minha infância quando passava aqui com a minha família. Meus pais ficavam loucos, com medo que eu me afogasse ou coisa assim, mas adorava correr em direção as ondes e senti-las quebrando em meus pés. - comentou ela enquanto caminhávamos. 
- Meus pais veem pouco ao litoral, minha mãe odeia sol e areia e meu pai prefere o campo então sempre acabamos indo para algum sitio. Mas eu adoro surfar, me sinto bem diante de toda essa imensidão azul, e esse som das ondas não há coisa melhor. 
- Você fala pouco dos seus pais... - comentou ela enquanto nos sentávamos nas dunas. 
- Você também fala pouco dos seus... - argumentei, mas ela parecia esperar alguma resposta. - É complicado, parece que nasci na família errada, tudo o que eu quero parece errado. Meus pais não entendem minhas vontades. 
- Mas você vive as custas deles. 
- Ah isso foi um acordo, eu aceitei fazer faculdade e eles prometerão me bancar até eu me formar.
- Então você escolhe um curso que odeia, só pra viver de boa com o dinheiro do papai, que vida boa você leva. - ironizou ela.
- Não é bem assim, me sinto perdido, aliás nem sei o que quero realmente da minha vida. 
- Mas fazer algo que não gosta não vai ajudar em nada. As vezes é preciso se arriscar pra descobrir o que te faz feliz. - calei-me um minuto absorvendo suas palavras.
- Você sempre soube que queria fazer veterinária?
- Sempre! Desde pequena cuidar dos bichinhos, minha mãe ficava louca comigo quando toda semana eu chegava com um bichinho diferente em casa. - riu ela com a lembrança. 
- E você e sua família como são? - perguntei curioso.
- Ah já fomos melhores. - disse deixando no ar. Olhei-a a fim de que ela continuasse e depois de um longo suspiro ela começou a falar. - Minha mãe morreu há dois anos, de câncer. Desde lá as coisas ficaram estranhas, meu pai foi embora assim que soube da doença, pelo que eu soube pela minha irmã esta até com outra esposa. Diz ele que era muito jovem pra se desgastar cuidando de uma pessoa doente. Então já que ela iria morrer ele escolheu viver. - Seus olhos ficaram perdidos no horizonte enquanto relatava sobre sua vida. - Era horrível ver o modo egoísta que ele resolveu agir, justo no momento que minha mãe mais precisou ela abandonou, sendo que ela se manteve do lado dele durante todas suas crises, até mesmo chegou a passar fome quando resolveu fugir com ele. Mas tudo bem, ninguém podia implorar pra que ele ficasse já que ele era tão covarde era melhor ficar longe. 
- E como ficaram você e sua irmã? - quis saber.
- Não podíamos fazer nada pra impedir, tínhamos que cuidar de minha mãe, até ela descansar. Depois disso ela foi viver a vida dela com o namorado. E eu como não podia fazer nada pra manter o que restou daquela família, resolvi me mudar pra cidade, afim de fugir de toda aquela tristeza. Hoje vejo que quem mantinha a família unida era minha mãe, todos adoravam ficar perto dela, ela era engraçada, conselheira, sempre tinha algo de bom pra falar pras pessoas e isso fazia com que todos quisessem ficar perto dela. Mas depois isso se destruiu.
Não disse muita coisa fiquei absorvendo aquela história na minha cabeça, e num impulso só a abracei sem dizer mais nada, enquanto víamos a noite cair. 
 Depois daquele belo final de semana me dei conta que Luana era muito mais que só uma garota bonita, ela era especial. Em um dia que fui apenas fazer uma visita rápida ao seu apê, vi ela se despedindo de um cara todo com pinta de bad boy, muito mais encorpado do que eu...
- Oi, tínhamos combinado alguma coisa? - disse ela confusa ao me ver chegar.
- Não só quis dar uma passada e ver se você quer sair para jantar? 
- Uhum acabei de voltar de um restaurante com o João, mas a gente pode subir tomar alguma coisa, eu te preparo um sanduíche. - riu ela, me senti estranho quase com raiva quando ela disse que havia saído com joão o bad boy de agora pouco.
- Olha trouxe pra você. - disse dando uma rosa para ela.
- Hey já disse que não precisa vir com agradinhos quando quer alguma coisa...
- Não dessa vez foi sem intenção nenhuma, só trouxe por que achei que você gostaria e combinaria com o apartamento mas se não quiser tudo bem. - disse dando de ombros, como se não me importasse, mas eu me importei.
- Claro que não seu bobo, posso não ser boba e ingenua mas que mulher não gosta de flores? - disse abrindo um lindo sorriso ao pegar a delicada rosa.
- Posso te fazer uma pergunta? - disse de repente.
- Não. - fiquei calada olhando-a, mas logo ela riu e vi que era brincadeira. - Vai diz logo.
- Tem saído com outro caras depois que começamos a sair?
- Tem algum problema com isso, que eu saiba nós somos só amigos com privilégios como você mesmo diz. Por que?
- Não nada só curiosidade. - fingi desinteresse. 
- Vai me dizer que não sai com outras garotas? - fiquei em silêncio pois a meses eu só saia com ela. - Esta com Ciúmes Daniel? 
- Não! Claro que não era só uma curiosidade.
- Sei..- desconfiou ela.
- E se a gente fosse exclusivo, tipo não saísse com mais ninguém enquanto estivermos juntos? - perguntei não sei de onde tirei aquela ideia, mas me pareceu certo.
- Tipo namorados? - debochou ela.
- Nada sério desse jeito, só juntos como estamos, mas exclusivos sem ficarmos com mais ninguém... 
- Não sei se me parece certo, isso é quase uma namoro não sei se quero me envolver dessa maneira. Vai que não dá certo? 
- Ah gente só vai saber se tentar, alias não é você mesma que diz que a gente só vai saber o certo nos arriscando? - joguei usando as mesmas palavras que ela havia usado, quando estávamos na praia.
- Não use as minhas palavras contra mim mesma, isso é jogo sujo. - disse ela me estapeando no braço de brincadeira. 
- O que temos a perder? Se não der certo cada um prum lado e continuamos amigos, simples assim! - olhei-a pensativa com ideia, e torcia pra que ela aceitasse. Não que eu fosse ciumento, mas parecia o certo não me agradava pensar nela com outros caras, queria ela comigo assim como eu queria ser dela. - E ai topa?
- Você não desiste nunca não é? - assenti que não com um sorrisinho de canto. - Eu topo vai.
Peguei as nos braços e lhe dei um beijo apaixonado... Isso mesmo naquela altura eu não podia negar que estava muito apaixonado. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário