- Amiga fica tranquila vai ver ele nem pesou isso e você se preocupando atoa. - dizia Carol tentando me tranquilizar,quando contei sobre a cena que Alex tinha visto no outro dia. - Alias isso pode até te ajudar.
- Como pode me ajudar? - perguntei confusa
- Se ele estiver com a impressão errada, pode ver o que esta perdendo e começar a correr atrás.
- É pode ser...- disse ainda não acreditando muito, mas do que adiantava me descabelar? Mas só fiquei tranquila mesmo quando a noite Alex que eu conversávamos no msn, como sempre fazíamos.
No outro dia havia dado um louca em minha mãe, querendo que eu a ajudasse a arrumar o nosso jardim, por que queria que a casa estivesse toda florida para receber a bêbe. As vezes eu acho que ela esquece que ira ter outra filha e não um gato. Mas como ela não podia fazer esforço, ela mandava e eu arrumava os vazinhos do jeito que ela queria. Enquanto eu arrumava os vasos no parapeito da janela como estavam, ela foi buscar mais algumas mudinhas para plantarmos no chão, principalmente rosas.Esse era o sonho dela, ter uma roseira em seu quintal. Fiquei arrumando os vasos sozinha, com medo de que a escada caísse pois pela minha falta de altura ou por que o parapeito era muito alto,eu não alcançava, bem tranquila ouvindo o radio da cozinha tocando minha musica preferida.
Foi tudo muito rápido, quando Fernando chegou fazendo seu escândalo habitual, só que come não estava preparada, me desequilibrei indo direto ao chão.
- Ai - disse ao bater a cabeça perto de uma torneira do jardim.
- Amanda! - gritou aquele IDIOTA ao me ver caída no chão. Quando me dei conta ele já estava em cima de mim, querendo saber como eu estava. - Você esta bem , desculpe-me não queria te assustar!
-Agora é fácil falar idiota, eu já estou no chão. - ouvi ele dando uma risadinha, mas o tom de voz ainda era preocupado
- Está doendo alguma coisa?
- Sim, minha cabeça. - disse sentindo-me tonta. Quando abri os olhos, ele estava bem em cima me encarando procurando por algum ferimento em minha cabeça, seus dedos percorriam minha testa com delicadeza, o que sem querer me deixou arrepiada.
- Nada grave até agora, vou te levar para dentro para colocar um compressa de gelo no local antes que vire um galo. E antes que me mexesse para me levantar, já estava em seus braços me levando para dentro. Tudo bem que eu tinha batido a cabeça e não quebrado uma perna, mas foi legal aquele passeio até o sofá em seu braços forte, ele tinha ficado preocupado.
Depois de ter me deixado no sofá, buscou gelo para deixar no local machucado.
- Obrigada. - disse enquanto eu apertava o local com o gelo, nunca o imaginei naquela situação tão atencioso. - Já percebeu que a gente só vive no chão, desde a primeira vez que a gente se encontrou. - comentei.
- Eu sei que eu provoco uma queda em você - disse ele se achando, revirei os olhos, mas não deixava de ser verdade se você para o sentido literal da palavra. - Mas se não fossem pelos nossos tombos não estaríamos aqui agora...
- È eu não estaria cheia de hematomas. - brinquei, mas o seu tom de voz não era como quem estivesse só brincando. Logo minha mãe voltou fazendo um escandalo ao saber que eu havia caído, já começando a se preocupar, mas a acalmei.
-Não foi nada, só um susto - disse olhando para Fernando - já estou bem!
-Ai que bom que você apareceu nando, você sempre salvando a gente. - disse minha mãe enchendo a bola dele, que sem querer ficou vermelho com os elogios. Depois de minha mãe certificar-se que eu eu estava mesmo bem, me liberou do meu "serviço" dizendo que logo iria contratar um jardineiro. Graças a Deus! Fernando ai me esperava la fora, ele não saia do meu pé agora.
- Você ainda esta ai? - encenei quando o vi com o seu skate sentando no hall da casa - Por favor chega de tombos por hoje!
- Depois não gosta quando a chamo de maluqinha. Mas só vim te fazer um convite... - disse ele olhando para os pés enquanto falava, sinal de que estava nervoso. Esperei ele falar tentando imaginar o que ele queria. - Sei que você não curte muito esse tipo de musica é
meio óbvio, mas no sábado que vem eu e minha manda iremos tocar num clube aqui perto, se estiver afim de ir...- ele falava como se eu fosse expulsa-lo a gritos dali com o seu simples convite.
- Quem te falou que eu não ouço um rock in roll? - perguntei com um olhar desafiador.
- Ah você toda clássica, não tem cara de quem ouve.
- Sinto em te desapontar querido mas eu ouço e curto.
- Se você diz eu acredito.
- Mas pode contar com a minha presença sim, faz tempo que eu não saio pra me diverti. - um sorriso sincero se espalhou pelo seu rosto. - Alem do mais sou uma pessoa eclética, não vivo só no meu mundinho rock in roll, posso concilia-lo com a minha musica clássica.
- E quem disse que eu também não sei fazer isso?
- Só provando.
Por que eu tinha que abrir minha boca? Lá estava o garoto com o seu estilo todo do rock, tocando clair de lune.
- Tudo bem chega de me humilhar, já vi que você é bom.
- Não é para tanto, eu admito que só sei tocar essa musica graças a minha avó que tocava perfeitamente bem, isso foi o que ela consegui me ensinar. Ela dizia que eu tinha jeito, mas sempre gostei mais de minha guitarra de brinquedo. - eu ri com tal afirmação, apesar de achar que ele só fazia barulho das outras vezes que eu o vi tocando achei legal. - Mas e você poderia tocar alguma coisa né, já te mostrei o que sei, só falta você.
Geralmente eu ficava com vergonha de tocar na frente de outra pessoas, mas com ele ali nem tanto. Quando pensei em uma musica para tocar, não pensei em Mozart ou Beethoven, logo começei a dedilhar Only hope,do filme um amor para recordar. Não pensava em nada, a musica fluia por mim. Me fazendo sentir-me leve. Quando toquei o ultimo acorde, foi que me lembrei da presença de Fernando ao meu lado.
- Você toca muito bem! - disse ele me encarando, não havia aquele tom de brincadeira de sempre,havia sinceridade.
- Também tocando desde os oito anos de idade, tinha que mostrar que aprendi alguma coisa.
- Nossa oito anos é muito tempo, mas que valeram a pena. Formamos uma boa dupla musical, um dia quem sabe não tocamos alguma coisa juntos?
- Quem sabe... - deixei a pergunta pairando no ar.
- Agora vou indo, já enchi muito seu saco hoje
- Não só hoje como sempre!
- Mas eu sei que você gosta,
- Vai sonhando. - Ele riu e se abaixou para me dar um beijo no rosto, momento historico por que das semanas que ele estava aqui e de quando começavamos a conversar, ele nunca tinha feito aquilo.
Quando ele saiu, começei a tocar infinitas musicas do meu modulo. Não queria e não pensava em nada só tocava. Quando a noite começou a cair deixando a luz iluminar todo quarto, já que as luzs não estvam acesas, comecei a dedilhar Talking to the moon, musica que havia aprendido a poucos dias. Só que no meu caso eu tocava para a lua. Sem querer, as lemranças dos ultimos dias com Fernando começaram a percorrer pela minha mente. A cor do seus olhos quando estavamos no chão, o jeito que ele me examinava quando eu tinha caído, suas mãos me tocando, seus labios tocando o meu rosto, seus olhos me encarando depois de ter tocado, o momento rapido que passei em seus braços enquanto ele me carregava . Tudo tão simples...
Não sabia ao certo o que significava, mas era diferente, eu me sentia diferente.

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