O quarto estava um silencio total, as persianas estavam fechadas deixando o lugar mais sombrio. O único som além dos aparelhos que a monitoravam, era o som de sua respiração fraca.
Ao me aproximar de sua cama, me surpreendi. Onde foi parar aquele lindo rosto angelical? Seu rosto era pálido,sem vida. Tinhas profundas olheiras em volta deles. Sua linda pele de pêssego, tinha envelhecido uns dez anos.
- Como deixei isso acontecer? - perguntei apoiando minha cabeça em suas mãos. Não podia perde-la.
- Você veio! - ouvi sua voz fraca dizer. Olhei para seu rosto, que lacrimejava e sorria ao mesmo tempo ao me ver. Pelo menos o brilho de seus olhos castanhos tinha voltado. - Pensei que nunca mais o veria, não sabe como senti sua falta.
- Shhh não se canse, estou aqui agora pra ficar do seu lado, demorei mas estou aqui. - Ela abriu aquele sorriso que eu tanto amava, isso iluminou seu rosto. Mas mesmo assim era de cortar o coração ver a mulher que eu amava morrendo em cima de uma cama de hospital.
-Olha trouxe suas flores preferidas, vão alegrar o seu dia. E vou abri um pouco essas janelas seu que você gosta da luz do sol. - Disse colocando as flores perto dela, e aproveitando para abrir um pouco aquelas janelas, o sol estava quase se pondo no horizonte, é a hora do dia que ela mais gosta ; o crepúsculo.
- Por que esta aqui? - perguntou ela com a voz um pouco mais forte.
- Você quer que eu saia? - perguntei franzindo a testa para ela.
- Não, claro que não. Fico contente por estar aqui. Mas fico me perguntando o por que depois de tanto tempo, você esta aqui.
Fiquei calado, nem eu sabia a resposta disso, só me lembro de ter entrado em um avião assim que soube que ela se encontrava hospitalizada.
- Eu não sei. - disse baixo depois de um tempo.
- Tudo bem, fico feliz do mesmo jeito, pelo menos poderei morrer em paz.
- Não fale uma coisa dessas! - corri para seu lado e segurando seu rosto entre minhas mãos. - Nunca mais diga uma coisa dessas, você vai se curar. Não suportaria te perder.
- Isso já aconteceu, há dois anos quando você bateu a porta do meu apartamento naquela primavera dizendo que ia voltar e não fez isso. Você me abandonou primeiro. - disse ela em lágrimas.
- Por muito tempo eu quis voltar e te explicar o por que mas as coisas saíram do meu controle. Mas saiba que fiz tudo para seu bem.
- Como me abandonando? Você sabia que eu estaria bem ao seu lado, era só isso que eu precisava. Mas agora já foi feito, eu já perdi você, logo voltará a sua vida normal e eu irei morrer.
- Isso não vai acontecer. Não vai me perder eu estou aqui agora e prometo que não sairei!
- Não faça promessas da qual não poderá cumprir. - calei-me ela tinha razão por estar brava comigo. ah se ela soubesse o quanto eu senti a sua falta e como gostaria de viver o tempo que restasse ao seu lado. Se eu estava aqui eu não a deixaria sozinha!
- Acho que demorei tempo de mais para isso, mas eu queria que soubesse, que eu te amo! - disse olhando firme em seu olhos que se derramou em lágrimas.
- Nunca é tarde demais para dizer o que sente, eu também te amo muito e nunca vou deixar de amar! - com muita delicadeza, encostei meus lábios nos dela, selando aquele momento.
- Obrigada! - disse fechando seus olhos, e de repente um apito começou a soar do seu lado, sua mão em que eu segurava caiu do lado do seu corpo inerte.
- Não por favor não me deixa agora! - disse debruçando-me sobre seu corpo gelado.
Dois anos depois...
Acordei com o sol, aquecendo meu rosto. Estava na varanda de casa sentindo o vento em meu rosto naquela linda tarde de Novembro. - Amor você não sabe! Conseguimos estou gravida! - disse ela entrando todo afobada no nosso quarto. Estava linda como nunca, nem parece que há dois anos estava doente.
- Jura meu amor! Eu sabia que tudo ia dar certo! - disse rodopiando-a no ar.
- Eu te amo, eu sabia que tudo ia melhorar com você do meu lado, só você é a minha cura!
- Eu também a amo! - disse dando-lhe um beijo, agora tudo estava completo.

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