domingo, 10 de abril de 2011

Infância

Ao abrir a porta daquele quarto a imensidão de lembranças voltaram a tona. "Não faz tanto tempo assim!" pensou, mas muitas mudanças haviam ocorrido dentro daquele coração.
Os moveis continuavam os mesmo, a mesma estante, a mesma cama, as mesmas caixas de brinquedos empoeirados pelo tempo. Tudo do jeitinho que estava, bagunçado para uns, arrumados pra ela naquele tempo. A infinidades de brincadeiras que ali foram feitas, as vozes de crianças ou um silencio infantil ali tudo ficava guardado.
O sorriso sincero ao receber uma boneca nova que só passa no comercial e que ninguém mais tem, hoje se tornou superficial, amargurado pelo tempo. A emoção de poder ficar horas e horas imaginando um futuro perfeito, onde a maior preocupação era a hora  de guarda-los para brincar no outro dia. Hoje a preocupação de saber o que fazer no futuro, das correrias que viram,dos problemas...
O lugar era perfeito, para ficar assistindo mais um filme onde tudo no final acabava bem, o cenário perfeito onde suas bonecas,já sem o brilho de antes, viviam romances imagináveis e emocionantes.
A trilha sonora era o novo CD da sua banda preferida num volume em que você se achava Rebelde com as letras de amor.
Hoje o cenário já mais sombrio, já há o cantinho onde sua imaginação da assas e você sonha sem medo,sem se preocupar com que os outros vão achar, afinal o maior sonho de uma criança é saber se vai ganhar aquela boneca no natal. Hoje as pessoas sonham com coisas maiores seus sorrisos sã falsos para esconder a dor das decepções de esperar por alguém. Você já não tem a pureza de se sentir feliz com o sua novela preferida que começava na TV. Seus sonhos, sua vida nunca estão do jeito que você quer. Já não é mais divertido sonhar com o galã da novela pensando que irá ter um final feliz para sempre, o coração novo já esta endurecido pelas escolhas erradas, e logo o brincar de casinha vai ser coisa seria, ele vai existir.
Ah se pudéssemos voltar naquele tempo, se todos ainda mantivessem sua alma de criança intacta. A como era bom aquela infância. E aquela garota do sorriso meigo, de alma pura onde ela foi parar? Acho que nem ela sabe, as coisas podem ser as mesmas mas a pessoa não.

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