Aquela era a terceira briga em uma semana. Eu estava farta de morar com minha mãe e ela sempre tentando me controlar. Não via a hora de fazer dezoito e me mudar de vez. Tudo bem eu sentiria falta de tudo, principalmente do mar, mas aquelas brigas me chateavam muito. E como sempre quando eu ficava realmente com raiva começava a chorar.
Estranho não? Em vez de eu ter uma reação nem fosse descontrolada, como atacar copos na parede, eu começava a chorar.
- Brigaram de novo? - perguntou Dani parado na minha frente. Foi ai que eu vi que estava jogada na escada de casa, chorando feito louca.
- O que você acha? - perguntei sem olhar para ele. Ele sabia melhor do ninguém dos meu problemas, já devia estar de saco cheio das minhas crise. mas em vez de dar meia volta e ir embora, agachou-se na minha altura e me puxou para seus braços, uma maneira de me consolar. Eu não resistia ao seus abraços acolhedores, agarrei-me a ele como uma prancha de salvação no meio do mar.
- Vem vamos sair daqui. - disse ele me puxando para darmos uma caminhada.
Enquanto caminhávamos pela praia, o sol no horizonte já caia, parecendo se esconder. Eu adorava morar na praia, desde a separação dos meus pais, eu sabia de uma coisa eu não sairia dali por nada. Mesmo que eu sentisse a falta de meu pai e isso rendesse muitas brigas com a minha mãe. Por que eu sabia que para o mar que eu fugiria ele iria me consolar, junto com Dani. Daniel era o meu melhor amigo desde quando eu o vi pela primeira vez há uns dez anos. Tínhamos seis anos de idade e desde então nunca nos separávamos. Vivíamos um relacionamento estranho, eu contava tudo para ele, era o meu melhor amigo, sabíamos de vários segredos um do outro, e era estranho pois de uns tempos para cá alem da amizade existia um carinho maior, uma amor dentro do meu peito por ele. Como contar segredos meus a ele e ao mesmo tempo imaginávamos casando e tendo filhos? Ele não sabia explicar a nossa relação. Ele dizia que éramos bons exemplos de boyfrend e girlfriend. Mas nos dávamos bem com nossa estranha relação. Principalmente em momentos como aquele. Caminhando a beira mar, abraçados e em silencio. Sentindo a brisa do mar tocando nossa pele, o cheiro de maresia que me simplesmente me encantava, e olhando a lua aparecendo e refletindo no azul do mar...
- Vamos me conte o que houve dessa vez? - perguntou ele depois de longos minutos em silencio.
- Você já sabe ela querendo me controlar e armando um escândalo toda vez que ameaço ir morar com o meu pai, e me dizendo que sou uma ingrata. - contei entediada ele sabia daquela novela.
- Você teria coragem mesmo de ir morar com o seu pai, na Espanha? - perguntou ele com um temor na voz.
- Eu tenho vários motivos para ir morar com ele. Poderia entrar em uma boa faculdade, com meu pai as coisas são mais fáceis, não há tanta pressão, não tantas cobranças sem falar que não brigamos!Alem das oportunidades que eu teria de ir morar em outro pais. - disse dando voltas na minha resposta
- Então sim você iria morar com seu pai? - perguntou impaciente.
- Mas pensando por outro lado, não consigo me imaginar longe da praia, longe da minha mãe que por mais que a gente brigue não consigo abandona-la aqui. E bom eu tenho um motivo muito importante que se não fosse ele eu já estaria bem longe daqui...
- E qual é?
- È óbvio que é você! Se não estivesse aqui cuidado de mim, me aguentando nos meus momentos de histeria e cuidando de mim, bom eu com certeza eu já teria fugido. - ele me abraçou bem forte rindo com tal afirmação.
- Eu discordo, você aguentaria sim. Você é mais forte do que imagina. Eu sinto isso.
- Tem horas que não sinto.
- E o que você sente?
- Isso. - disse ficando nas ponta do pés para beija-lo.
- Boba! - disse rindo e me puxando para andar de volta para casa. Sentindo as variações do clima tropical.
E de repente tudo voltada a ser com o antes : simples. E intenso.

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