Nosso amor, nossas respirações mescladas de desejo, se misturavam enquanto nos amávamos no chão daquela cabana. Não havia o que dizer, só o calor de nosso beijos deixava claro que aquele amor de adolescente ainda vivia em nós. Era pulsante o desejo que tínhamos em nós, era muito amor reprimido.
Eu sempre sonhei com aquele momento, dizia que o meu primeiro amor seria com ele, e minha primeira noite também. Mesmo com minhas escolhas erradas eu sentia que amor era só com Henrique. Nada comparado ao tempo em que passei com Ricardo. Assim como a chuva ia passando adormeci em seus braços quentes que me afagavam tentando me proteger do frio.
Acordei com o sol em meu rosto. Estava sozinha na cabana, as minhas roupas estavam do meu lado e nenhum sinal de Henrique. Me vesti lembrando dos momentos calorosos da noite passada, dos momentos intensos vividos ao lado do homem que eu realmente amava.
Henrique me esperava do lado de fora, parecia pensativo, mergulhado em pensamentos...
- Bom dia - sussurrei indecisa de como nos comportaríamos depois da nossa noite. Mas ele só esboçou um leve sorriso.
- È melhor seguimos para a fazenda, devem estar preocupados. - eu só assenti enquanto subíamos no cavalo.
O caminho era calmo e silencioso. Só se ouvia os galopes do cavalo e nossa respiração tensa. Eu me perguntava o que seria da gente depois daquele linda noite?
Quando estávamos na porta da fazenda ouvi de longe os gritos de Gisele vindo em nossa direção.
- Graças a Deus vocês estão bem! Fique tão preocupada. - dizia enquanto abraçava e beijava Henrique. Pois é bem vinda a realidade.
- Clara você esta bem? - perguntou Gabriel
- Estou só tomamos muita chuva.
- Ah Clara que bom que esta bem! - Disse Gisele largando Henrique e me abraçando. - Por um momento pensei que ficaria viuvá antes de casar! Mas venha vamos entrar e explicar o que aconteceu...
Depois de um bom banho e comer alguma coisa Henrique explicou o que ocorreu.
- Nossa não sabe o quanto ficamos preocupados quando só o cavalo de Clara voltou. - explicou Gisele.
- E vocês ficaram sozinhos a noite toda naquele frio? - perguntou maldosamente Marina. Acho que ela tinha desconfiado de algo. E viu o modo que Henrique ficou tenso quando tocou no assunto.
- È foi não tínhamos como voltar, chovia muito. - respondeu ele sem graça.
- È acho que nosso passeio foi por agua a baixo. - disse Gisele triste
- Não quero que estrague seus planos querida, ainda podemos aproveitar. - disse Henrique para ela. Sem querer aquilo doeu em meu peito ver o carinho que ele tinha por ela. - Vamos limitar-mos a ficar por aqui mesmo. Ai como planejado voltamos para cidade amanha cedo.
- Obrigada amor, você sempre tentando me agradar não sei o que seria de mim sem você... - ele só a beijou.
Depois de descansar um pouco por causa da noite anterior. Depois de tudo isso passasse eu e Henrique precisaríamos conversa, não podíamos ficar naquilo e ponto.
Quando desci estavam todos na sala de estar conversando animadamente.
- Ah bela adormecida acordou - brincou meu irmão - A noite foi boa hein que nem dormiu. Mesmo sabendo que ele estava brincando não deixei de ficar vermelha.
- Olha os modos hein Gabriel. - o repreendi. - Mas estava cansada mesmo, aqui é um otimo local pra relaxar
- È meu pai a comprou a muito tempo. Olha sempre que quiser pode visita-la eu não venho muito aqui. Pode trazer o seu namorado. - disse Gisele inocente
- Eu não tenho namorado. - disse categórica
- Não acredito você é tão linda! Ah mas venha ao meu casamento vou te apresentar uns primos meus lindos você vai amar.
- Obrigada pelo elogio. Estou tão sem tempo, afinal quero buscar o meu amo verdadeiro. - disse sem querer olhando para Henrique.
- Isso faz bem, se eu achei um maravilhoso você também irá achar o seu. Agradeço a Deus por ter encontrado Henrique. Sou a mulher mais feliz do mundo! - disse ela orgulhosa, se ela soubesse que ele também era o homem que eu amava.
- Que tal irmos ver um filme hein, qualquer outra coisa menos cavalos... - disse meu irmão entediado
- Concordo plenamente com você Gabriel. Vamos garotas....
Depois daquele final de semana completamente agitado, eu não sabia mais o que fazer. Logo meu visto estaria vencendo e o que eu tinha que fazer não havia se resolvido. O que restava era só as lembranças daquela noite no casebre.
- Gabriel, preciso falar com você, venha ao meu apartamento, ou me ligue para nos encontrarmos em algum lugar. - disse ele na caixa de mensagens. Foi ali que eu tive um clique resolvi ir até o apartamento dele. Eu sabia onde ficava, e se ele queria conversar com Gabriel devia estar sozinho. Era agora ou nunca. Me arrumei e peguei um táxi até lá, dessa vez eu não sairia de lá enquanto não fosse tudo esclarecido entre nós.
No apartamento pedi para o porteiro me anunciar como Gabriel, inventando uma pequena historia e logo ele me deixou subir.
Toquei a companhia e logo ele abriu mas tomou um susto quando me viu parada na sua frente.
- Você aqui...? - disse ele confuso
- Precisamos conversar, pode ser agora? - disse o desafiando. Sem escolha ele me deixou entrar sabia o quanto eu era teimosa.

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