" Saudade quando não cabe no peito, escorre pelos olhos..."
A dor que a consumia, era forte latejante, como se tivessem arrancado algum pedaço do corpo. Alias haviam tirado; o seu coração. Logo nos primeiros dias ela escrevia-lhe cartas, e a respostas delas chegavam meses depois. A família de Geovanna a repreendiam, pro tal comportamento, e a ameaçavam a casa-la com quem já fora prometida e a mandariam para outro país. O medo lhe corroía a alma. Ela prometeu esperar o amado, não o decepcionaria. Mas o destino como sempre faz a coisa certa. O noivo que lhe fora prometido cansou da espera e casou-se com outra, deixando seu pai muito irritado.
Os anos foram passando, e com o tempo as cartas foram vindo com menos frequência, o que lhe causava desgosto, mas não era motivo de desistência.
Mas naquele mesmo ano a guerra tinha se dado por fim. Nunca vibrou tanto de felicidade, seu amor estava voltando. Mas quando os militares chegaram sua decepção foi grande, ele não estava entre os que voltaram. Perguntou a todos se sabiam dele, mas ninguém sabia responder.
- Senhorita amanhã sairá a lista dos militares que foram mortos, se ele não chegou com eles então...- disse o militar a orientando.
- Não! Ele disse que voltaria, eu me recuso a pensar que ele possa estar morto. - lágrimas caiam copiosamente de seus olhos, doia a alma só de pensar em que seu Raphael pudesse estar morto. Ele iria voltar.
Quando amamos alguém, confiamos em suas promessas e não há nada que nos faça desistir por aquele amor.
Os pais de Geovanna, tentaram convence-la que Raphael estava morto, que não adiantava ela espera-lo mais.
- Ele me prometeu que iria voltar, ele me disse eu confio ele não morreu! - dizia ela com convicção. Deixando seus pais preocupados. Cansada da pressão de seus pais, ela fugiu de casa pela madrugada. Decidida seguiu para um casebre que ficava próximo ao local onde ela e Rapha se encontravam.
Morando ali, para poder se sustentar começou um trabalho em um hospital. Seu pai ao saber de sua fuga, disse aos quatro ventos que não tinha mais filha. Sua mãe até tentou convence-la a voltar para tua casa, mas ela não poderia, tinha que esperar por Raphael.
Anos passaram, as pessoas já não se lembravam mais dos rastros do terror que a guerra havia provocado. Geovanna já havia passado da idade do casamento até então, seu pai sempre que a via, fingia que não a conhecia. Seu coração seguia ainda confiante e dolorido com a ausência de seu grande amor. Não haviam um dia em que não orasse pedindo que onde Raphael estivesse, tinha que estar bem e que voltasse. Todas as noites ela sonhava com a sua volta, a felicidade dela só aconteceria com ele perto dela.

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