domingo, 20 de março de 2011

Ciumes

Andava com pressa pela calçada, com as lágrimas ardendo em meus olhos, não iria chorar na frente dele. Não mesmo!
Parei no ponto de ónibus que estava vazio, pela hora tinha perdido o meu ónibus o outro demoraria a chegar. Otimo ficaria ali sozinha. E pra piorar estava armando uma chuva que eu esperava que demorasse a cair. Sentei-me no banco, e coloquei a cabeça entre os joelhos. Não queria pensar, mas aquela cena ficava rondando minha mente. Como eu odiava não conseguir controlar meus sentimentos.
- Ah que bom que te achei! Esta chorando? - perguntou a pessoa que eu já imaginava que estava atrás de mim. Sim eu estava chorando mas eu não queria que ele visse.
- Vai embora! - disse me levantando pra ficar longe dele, limpei meu rosto pra me recompor.
- Não eu não vou! Corri da escola até aqui pra falar com você, e não vou até conseguir o que quero! - tinha me esquecido de como era teimoso. - Pode me explicar o que deu em você pra sair correndo daquele jeito?
- Ainda tem a cara de pau de perguntar. Não se faça de cínico. - disse com a raiva me corroendo.
- Pode por favor olhar nos meus olhos enquanto fala? - disse me puxando fazendo-me ficar cara a cara com ele. Coisa errada a fazer pois meu disfarce desmancharia ao ver seu lindos olhos. Eles sempre me desarmava, não seria diferente agora.
- E você pode me soltar? - rebati na defensiva. Ele pode me balançar mas eu estava possessa
- Tudo bem eu te solto, mas pode por favor me explicar o que eu te fiz para ficar com tanta raiva de mim?
- Como você é cínico, mas tudo bem se quer ouvir eu te digo. Eu vi você com a Marcela na hora da saída tá? Vi o jeito que você conversavam rindo felizes. - disse cheia de ironia na voz. Eu queria gritar.
- Do que esta falando? Nós só estávamos conversando!
- Isso até a hora que eu vi né, não sei o que houve antes ou depois. - disse eu o fuzilava com os olhos, e ele em vez de se explicar caiu em uma gargalhada histérica. Ah aquilo foi a gota d'agua! Comecei a estapea- lo com toda minha força; o que não era muita pra um cara de um metro e oitenta.
- Seu cachorro, estúpido, idiota e safado! - dizia enquanto eu batia nele e chorava ao mesmo tempo.
- Tá já chega! - disse ele segurando meus pulsos - Você esta dominada pelo ciumes, e esta me julgando sem saber das coisas.
- Ra eu com ciumes, deixa de ser convencido. - menti.
- È sim, senão não estaria me estapeando aqui sem motivos. Olha Marcela é a garota por quem Pedro esta apaixonado. Ele me pediu ajuda e lá estava eu cumprindo minha "missão" de cupido. - Pronto tinha me desarmado.
- Eu não pedi explicações. - disse contrariada.
- È preferiu tirar conclusões precipitadas das coisas. Eu não te entendo sabia, por que toda essa desconfiança? Algum dia já lhe deu motivos pra desconfiar de mim?
 Calei-me sua pergunta, ele tinha razão eu estava sendo uma boba.
- Esta vendo nem você sabe a resposta. O que significa que eu estou certo. O que fazer com uma pessoa que não confia em mim? - murmurou ele enquanto me soltava. - Dói isso sabia?
- Ei espera, também não é assim, eu confio em você só tenho medo de perde-lo. - me expliquei
- Eu não estou aqui agora? Por que iria deixa-la, sou homem o bastante pra cumpri aquilo que eu falo, se estou com você é por que gosto, senão já tinha me mandado a muito tempo. - respondeu ele de um jeito serio que me assustou. Tive medo,como sempre eu era capaz de estragar aquilo eu estava muito bom. Eu e meu maldito medo de perde-lo.
- Serio me desculpa. Eu sou muito impulsiva, e tenho medo de que você volte a ser aquele de antes. Eu gosto tanto de você que acabo estragando tudo. - disse sentida. Ele se aproximou de mim pegou minhas mãos e olhou em meu olhos. Com cuidado colocou minha mão em seu peito.
- Senti isso? - perguntou enquanto sentia o pulsar de seu coração - Como é que posso voltar ao que era antes, se tudo que preciso esta bem aqui? Se só você pode causar esses sentimentos estranhos em meus peito. - meus olhos marejaram na hora, e com o mesmo cuidado coloquei sua mão em meu peito também
- você só esta lidando com uma garota que tem tudo o que sempre quis ao lado e tem medo que tudo isso seja um sonho.
- Se isso for um sonho, então me diga como posso fazer isso? - e num segundo puxou-me pela cintura e me beijou. Nosso lábios se encaixavam perfeitamente. Como duas peças de um quebra cabeça que foram feitos pra ficar grudados para sempre.
- Eu te amo, sua boba ciumenta e esquentada. - disse ele me abraçando.
- Eu também te amo, seu convencido idiota. - disse rindo. E naquele clima perfeito onde a chuva começava a cair, conversávamos como se nada tivesse acontecido. Pelo jeito o ónibus demoraria a chegar pois enquanto estava em nossa "bolha" devia ter perdidos vários. Afinal nada era perfeito dali a cinco minutos voltaríamos a brigar, mas quer saber que se dane enquanto nossas brigas acabarem em beijos eu me arriscaria, quem ama cuida.

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