quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Sensações


Corríamos o mais rápido que  podiamos, o medo crescia a cada curva, o suor frio gotejava na minha testa, pelo perigo eminente. As ruas eram estreitas e escuras o que deixava tudo com um ar mais sombrio coisa de filme. Entramos em uma rua, e logo nos escondemos em um beco. Encontrei-me na parede, com as mãos no joelho eu estava completamente sem fôlego. Eu praticamente ouvia e sentia que meu coração ia saltar do peito, de tão forte que eram os meu batimentos cardíacos.
- É acho que conseguimos despista-los. - informou ele de espreita no canto da parede.
- Graças a Deus, não aguento mais correr! - disse ainda ofegante.
- Precisamos dar um jeito nisso, eles não vão nos dar sossego!
- Vamos achar uma saída. - respondi. Por um momento ele ficou calado, talvez pensado em uma solução. Ele não era tão confiante como eu.Depois de um suspiro pesaroso ele se aproximou de mim, mas não o bastante para que eu pudesse ver os olhos dele.
- Você esta bem? - perguntou ele com voz insegura.
- Sim eu estou. - respondi por fim. - E você?
- Bem. - responde somente.
- Você está sangrando. - toquei sua face, onde um filete de sangue escorria, perto da sobrancelha. Não era profundo, mas dava-me agonia de ver.
- Eu vou ficar bem, já tive piores. - respondeu ele, não ligando muito. Ele deu um suspiro alto, como se tivesse perdido alguma batalha interna e por fim se aproximou, o suficiente para que ficássemos frente a frente. Segurou minhas mãos com força e sustentou o meu olhar. Ele não queria demonstrar, mas estava com medo também.
- Você só me arruma problema viu... - disse ele dando um sorriso fraco
- Como se não fizesse o mesmo.
- Mas eu sei me cuidar, já você... - ironizou
- Eu sei me cuidar sim! Eu posso com eles. - menti casualmente, mas um leve tremor passou pelo corpo quando lembrei de um deles. Afastei o pensamento com as mãos.
- Você não sabe com quem esta se metendo. Por favor não faça nenhuma besteira, eles podem te machucar e eu não gostaria de imaginar uma coisa dessas...
- Calma! - coloquei meu dedo nos lábios dele.- Relaxa, não vamos pensar o pior. Está bem? Eu tomarei cuidado.
- Preferia que você estivesse longe disso! - resmungou ele
- Por favor não vamos mais discutir sobre isso! - cortei-o - Isso também é problema meu. -
Senti seu aperto urgente na minha mão era inútil discutirmos sobre aquele assunto. Abracei-o pela cintura, a fim de amenizar o problema.
Sentia o pulsar do teu coração, batendo ritmado ao meu. Era para termos uma noite tranquila mas lá estávamos nós, dentro de um beco escuro fugindo de marginais. Ele segurou o meu queixo e pousou os lábios delicadamente nos meus. O meus batimentos que tinham relaxado voltaram a se exaltar. O medo e a insegurança, raiva, angustiante dos momentos passados foram todas trocados pela paz que o toque dele me trazia. Senti-me flutuar como se estivesse no céu. Nosso beijos sempre eram inusitados. Garotas sonham com um beijo de amor com o namorado, debaixo de um céu estrelado a luz do luar. Eu e ele estávamos ali naquele beco escuro, talvez tendo como plateia os ratos e as baratas do recinto. Mas eu não ligava, tudo ficava cinza quando estava com ele. O mundo se apagava, e tudo gravitava sobre aquele beijo terno apaixonado, cheio de cuidados. As sensações se mesclavam com um emaranhado de lã.
- Vamos, não podemos ficar a noite toda aqui. - disse ele abraçando-me pela cintura me protegendo. Tínhamos que ser cautelosos o perigo podia voltar a qualquer hora.


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