quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Não me importo


Estava frio e a chuva não dava trégua. Mas acho que nada era mais frio que o meu coração. Lágrimas? Já haviam secado com o tempo e de nada elas me adiantavam naquele momento. Eu estava vazia, morta por dentro e nada era pior do aquele dor. Mas o que fazer? Ele tinha me deixado e daqui a algumas horas ele iria se casar. Sabe a culpa era minha! Eu que fui confusa demais, indecisa demais, fui errada demais. Mas também eu o amava demais, e ainda amava. Só que há uma hora em que as pessoas cansam de esperar, elas também tem sonhos e querem realiza-los. […] Eu estava decidida a ir embora daquele lugar. Tudo me lembrava dele, por onde eu passava pequenos detalhes traziam-me na memória o tempo em que eu fui feliz. Ao abrir o meu guarda roupa, jogava todas as minahs roupas em uma mala, mas algo me chamou atenção quando peguei abri minha gaveta. ” Psicologia” Um livro grande que ocupava todo o espaços da minha gaveta junto com aquela camiseta vermelha toda surrada. Aquilo foi demais para mim! Não podia desistir. Peguei meu carro e dirigi até o centro da cidade, desejando que ele ainda estivesse em casa. Trinta minutos de carro, que foram os mais longos da minha vida. Subi os degraus da escadas de dois em dois, eu já havia perdido muito tempo. Prendi a respiração quando bati na porta a espera que alguém atendesse.
- Você por aqui?! - disse ele surpreso, meu coração naquele instante não batia mais, estava tão lindo de smoking e os cabelos penteados com gel, era um verdadeiro príncipie.
- Olha eu sei que já faz algum tempo que não nos falamos e que daqui a pouco você vai se casar, mas eu preciso conversar com você. - ele me olhava atônito. Diante de seu silêncio eu continuei. - Sabe hoje eu estava arrumando minhas malas para ir embora de uma vez dessa cidade. Você sabe que eu odeio morar aqui e eu só não me mudei antes por sua causa. Mas para que ficar, você não está mais perto de mim, e ainda por cima vai se casar. Mas quando eu “arrumava” minha mala de viagem fui tentar abrir aquela primeira gaveta do meu guarda roupa, aquela que você dizia que eu só guardava tranqueira, eu vi este livro. Lembra-se dele? Pois bem eu me lembro, pois minhas contas de aluguél, água e telefone, estavam dentro dele servindo de marca página. Mas eu sou muito esquecida, e devolvi o livro á biblioteca. E nas mãos de quem ele foi parar? Pois é nas suas. Imagine o medo que eu tive, se fosse um qualquer teria aproveitado e pego os meus dados e aproveitado. Mas não, ainda me lembro quando você na noite daquele mesmo dia bateu no meu apartamento, vestindo esta camiseta vermelha surrada perguntando se aquilo era meu. Sério você é louco! Como foi atrás de uma garota que esquece as próprias contas dentro de um livro? Mas dái em diante, nada na minha vida foi o mesmo. Me lembro de todas as noites em que eu dormia no sofá e você me carregava para a cama, de seus bilhetes na minha geladeira, dizendo que eu tinha que comprar algo. Eu ainda guardo todos. Ah eu nunca te agradeci por colocar aquele porta chaves perto do armario, eu nunca mais perdi as chaves do meu apartamento nem do meu carro. Sabe eu sinto falta daquele seu macarrão grudento de domingo. Confesse você nunca foi bom na cozinha. Mas também era o seu único defeito. Minto o seu único defeito foi ficar comigo, uma egoísta feito eu, que não desistiu de seus sonhos banais para atender o único pedido, a sua única exigência. Mas eu tinha medo, medo do futuro de que os momentos maravilhosos que passamos fossem passageiros. Grande erro meu, pois hoje eu não ando vivendo apenas respirando. Você não sabe o quanto minha vida esta vazia desde aquele dia que você saiu pela porta do meu apartamento. Por muitas noites eu dormi agarrada a esta camiseta, pena que seu perfume já saiu dela faz tempo. E eu resolvi vir até aqui, só para dizer que eu não iria me importar em continuar morando nesta cidade cafona e sem graça, nem naquele cúbilo onde moro. Não iria me importar se você comprase aquele monstro que é aquela vitrola que você viu num antiquário. Não me importaria de comer aquele seu macarrão todos os domingos. Mas eu me importo em não passar todos os dias da minha vida ao teu lado. E nossa falei de mais, me desculpe eu não queria estar aqui chorando no dia do teu casamento, me desculpe se vim tarde demais.
- Não, não foi tarde demais obrigado por vir antes do ” se alguém estiver contra esta união que fale agora ou cale-se para sempre.”
- Por que?
- Bom por que o padre não iria gostar de ver esta cena…- presa em seus braços o beijo cheio de saudade se tornu real. - Prometo que quando nos casarmos eu entro num curso de culinária.
- Casar? Mas e a sua noiva?
- Ela esta aqui na minha frente não existe outra além de você. Eu não me importo se você demorou o bom é que esta aqui… […]

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